sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O esquizo responde


   Este post faz parte de uma série que estou preparando, com perguntas e respostas feitas por amigos portadores dos mais variados tipos de transtornos mentais, estudantes, amigos e parentes de portadores, além de pessoas interessadas no tema.
    Foi um amigo que me deu essa sugestão, ao ver um dos vídeos que publiquei no meu canal no youtube. Poderia responder as perguntas pelo próprio canal, mas, como já relatei inúmeras vezes, falar não é o meu forte, e além de tudo eu tenho a língua presa, é um saco ficar falando o S, às vezes chego até a pronunciar o X no lugar do s, mas não é para dar uma de carioca não, é por que fica mais fácil shasuhasuashuashaus Só quem tem a língua presa é que irá entender completamente essa troca de letras.
    Gostaria também de deixar bem claro que não sou o dono da verdade, as respostas são de uma pessoa que infelizmente tem a prática e um pouco da teoria sobre o assunto. O psiquiatra, o psicólogo pode estudar o máximo que for possível, cursar a melhor universidade, mas entender completamente o que um portador de sofrimento mental passa não depende apenas de teorias, é necessário outras coisas que o dinheiro não compra.
    Também não me considero capaz de resolver os problemas das pessoas com sofrimento mental. Apenas procuro ajudar da melhor maneira possível, com tudo o que aprendi estudando e principalmente pelo conhecimento adquirido pelas experiências que tive e com as lições que só a vida nos ensina. E também é uma forma de retribuir um pouco toda a ajuda que recebi nos momentos mais difíceis da minha vida. Então, sempre que puder, irei publicar dez perguntas em cada postagem com o título acima. Quem tiver alguma pergunta é só fazer por email que respondo aqui no blog. Sugestões de temas também serão bem vindas. Sem a participação dos leitores o blog ficaria pouco interessante na minha opinião, aprendi e muito com os comentários postados. O meu email é:
juliocesar-555@hotmail.com

Perguntas e respostas
   1-Como era a sua vida antes da esquizofrenia?
    Levava uma vida praticamente normal. Fui uma criança bem arteira, estudei em um colégio razoável, fiz o ensino médio completo e também o curso técnico de eletrônica. Saí de casa aos 17 anos e comecei a trabalhar como operador de som. Com o tempo, acabei me tornando um bom profissional nessa área. Era uma pessoa distraída, e não reparava em nada em torno de mim. Apenas me achava uma pessoa excessivamente tímida e um pouco complexada, mas não era nada de tão grave assim. Hoje creio que também era um cara meio inocente, até um pouco bobo para a minha idade. Não tinha paranoias, e conseguia andar pelas ruas sem me preocupar com as outras pessoas, era realmente muito distraído e um pouco aéreo. Confesso que tenho saudades desse tempo que acredito que não irá voltar.

    2- Que idade você tinha quando recebeu o diagnóstico e qual a sua idade atual?
    Na verdade nenhum psiquiatra ou psicólogo falaram comigo sobre o assunto. Sempre fui atendido pelo SUS e as consultas eram bem rápidas. Em uma certa cidade a consulta durava não mais do que cinco minutos. Os psiquiatras apenas ouviam minhas queixas e me passavam a receita do medicamento. Já as psicólogas apenas se limitavam a fazer algumas perguntas e anotações. Como não ficava muito tempo morando na mesma cidade, não fiquei muito tempo fazendo sessões com uma mesma psicóloga.
    O primeiro surto grave aconteceu aos 32 anos de idade, mas só tomei conhecimento que tinha esquizofrenia quando fui fazer a minha primeira perícia no INSS, quando já não estava conseguindo mais trabalhar, devido as recaídas que tive. O laudo recebi no ano de 2005 e atualmente tenho 46 anos de idade. Fiquei três anos, indo de uma igreja para outra, pensando se tratar de algo espiritual. Até mesmo depois de receber o laudo ainda tinha essa desconfiança, que só foi realmente acabar depois que resolvi fazer um curso de informática e comprar um computador e assim estudar o assunto com mais profundidade.

    3- Quais foram os sintomas que levaram ao diagnóstico e como foi a sua primeira crise?
    Mania de perseguição exagerada, muitas alucinações auditivas e algumas visuais.
A primeira crise tive aos 32 anos de idade. Estava trabalhando e comecei a imaginar que os outros funcionários da empresa onde trabalhava estavam tramando algo contra a minha pessoa. Esse sentimento de que havia um complô contra mim foi se espalhando para o bairro, e em pouco tempo, comecei a pensar que praticamente o mundo inteiro estava querendo o meu fim. Cheguei a ouvir pessoas combinando um plano para me matar e onde eu ai sentia que todas as pessoas estavam me observando. Também comecei a sentir um complexo de culpa exagerado, chegando a imaginar que tudo o que acontecia de errado era minha culpa. Pensava que a minha comida estava envenenada e fui duas vezes ao hospital para pedir socorro. Aconteceu outras coisas, mas basicamente foi isso, e, então pedi demissão na firma onde trabalhava, com a intenção de fugir dos inimigos que eu pensava que estavam me perseguindo naquele lugar.
Aconteceram muitas coisas. Como não era agressivo, não cheguei a ser internado, e então morei nas ruas de Belo Horizonte por cerca de cinco meses, até conseguir me recuperar. Registrei tudo no livro que escrevi, chamado Mente Dividida, que vendo no formato impresso como também em PDF.

    4- Você já foi internado alguma vez na vida? Como foi a experiência?
  Nunca fui internado, pois, como já afirmei, mesmo durante os surtos psicóticos, não era agressivo. A minha principal reação era apenas fugir e fugir. Fui para as Br's, mudei de cidade, tentei o autoextermínio algumas vezes, numa tentativa de fuga dos inimigos que estavam em minha mente, mas que na época tinha a certeza absoluta que estavam em todos os lugares. Mas não fui agressivo e também quase não externava o que se passava em minha mente.

    5- Você toma medicamentos para controlar a doença? Já teve que trocar de medicamentos alguma vez?
    Atualmente estou tomando apenas o diazepan, que é para a ansiedade e agitação. É como se fosse um SOS, em uma situação em que eu possa ficar agitado. Os remédios usados contra a esquizofrenia infelizmente possuem muitos efeitos colaterais. Troquei inúmeras vezes de medicamentos, mas todos tiveram reações adversas quase que incapacitantes, como sonolência, fraqueza, aumento de apetite exagerado, e outras reações que são chamadas de reações extrapiramidais: acatisia, que é a vontade de ficar andando sem parar, agitação motora e enrijecimento muscular, dentre outros. Hoje em dia, devido a experiência prática no assunto, posso sentir algumas vezes quando estou prestes a surtar, e ai recorro aos antipsicóticos, mas por um breve tempo, até sentir que estou novamente estabilizado. 


     6-Como a sua vida mudou após o diagnóstico?
    Após o diagnóstico, a minha vida melhorou um pouco, pois passei a estudar o assunto. No início acreditava ser algo de origem espiritual. Comecei a frequentar igrejas, para ver se me libertava desses supostos espíritos, mas em vão.
  Depois que tive o acesso ao diagnóstico pude entender melhor a esquizofrenia e, consequentemente, a mim mesmo. Fiz uma análise de todo o meu passado, e cheguei à conclusão de que realmente havia algo de errado comigo.

    
    7- Você trabalha? A doença já afetou seu ritmo profissional?
   Sou aposentado. Infelizmente na área em que trabalho o profissional tem que ficar várias noites acordado, se deslocando de uma cidade para outra. Trabalhava como operador de som, e ainda tinha o problema do som alto e de ter que conviver com multidões nos shows. É realmente uma profissão estressante. A vida social também foi bem afetada. Já não era grandes coisas antes, agora ficou praticamente inexistente. 

    8- Como é a sua relação com familiares e amigos?
   A minha relação com a família não era boa e nem ruim. Apenas não existia. Se por um lado não brigávamos, também não havia diálogo. Em relação aos amigos, na infância e adolescência era um garoto divertido e alegre, meio maluquinho mesmo e tinha bastante amigos. Com o tempo a sensação de que as pessoas não gostavam de mim foi aumentando e fui então me tornando uma pessoa mais reservada.

    9- Como as pessoas reagem ao saber que você tem esquizofrenia?
   Geralmente ficam surpresas, pois o preconceito e a falta de informação ainda é muito grande, A maioria das pessoas pensam que esquizofrenia seja sinônimo de agressividade, de falta de capacidade de raciocinar, déficit mental, falta de higiene, dentre outras coisas. Já me perguntaram como sei usar o computador se sou um esquizofrênico. Já até disseram que não tenho esquizofrenia por saber falar razoavelmente bem. E também fizeram o desafio clássico: “Você é doido? Então rasgue essa nota de 50 reais!” A resposta foi óbvia: “Posso até ser meio maluco, mas burro não sou né?”

    10- Você já passou por alguma situação de preconceito por sofrer com a doença?
    Se considerarmos preconceito como um pré-julgamento sem ter um conhecimento da causa, sofri e ainda sofro todos os dias. Mas não fui hostilizado, apenas algumas pessoas procuraram me evitar, principalmente no mundo virtual, já que ultimamente tenho tido pouco contato com as pessoas no mundo real. Já ouvi muitas indiretas, que finjo ter esquizofrenia para ter conseguido me aposentar, dizem que tenho uma vida boa (me aposentei com um salário mínimo). Dizem que o que tenho é frescura, já que não podem ver e nem sentir o que eu tenho.
    Nos sites de relacionamento o preconceito acontece de uma forma bem clara. Quando encontro uma pessoa interessante, procuro entrar em contato. A conversa chega a fluir bem, me pedem mais fotos, mas, quando ficam sabendo da minha condição de portador de esquizofrenia, já não retornam mais as mensagens. No começo chegava a mentir, afirmando que trabalhava como técnico em eletrônica, mas foi por pouco tempo, não gosto de me passar por uma outra pessoa. 

Perguntas de estudantes de psicologia
   O TCC não é mais obrigatório. Algumas estudantes de psicologia entram em contato comigo e com vários portadores de esquizofrenia para fazerem uma série de perguntas, para seus trabalhos de conclusão de curso. Umas são honestas e francas, chegam e falam a verdade, e fazem as perguntas. Outras se aproximam, fazem o pedido de amizade, fazem inúmeras perguntas, algumas fingem realmente querer a nossa amizade, mas, depois que conseguem o conteúdo para seus trabalhos, acabam sumindo e nos excluindo de seus círculos de amizades. Acho isso uma falsidade que nem vou comentar, o correto seria falar a verdade mesmo, apesar de que a maioria dos portadores não gostam de responder as mesmas perguntas de sempre. Eu mesmo já não respondo mais, pois são as mesmas perguntas de sempre. Já teve estudante fingindo ser jornalista e entrando em contato comigo, afirmando que iria sair no jornal, etc. Fiquei empolgado, mas até hoje não vi nenhum depoimento meu em nenhum jornal, elas prometiam me passar o link da matéria, mas até hoje nada. Então, o TCC não é mais obrigatório, e também é uma falta de sensibilidade dos professores, não saberem que qualquer pessoa se sente incomodada se for "investigada" ou observada. Nos caps e nos centros de convivência aparecem vários estudantes, e já cheguei a ver em um caderno de um estudante anotações sobre vários portadores de esquizofrenia. O pessoal das faculdades chegam nesses centros de convivência, entram em contato com os portadores, alguns estudantes começam a puxar conversa, fazem suas observações, e até filmam certas situações em que o portador não é perguntado se quer mesmo ser filmado. Não seria mais correto primeiro falar a verdade e depois começar o contato e as perguntas?

Se comer não use o fone de ouvido...
    Outro dia estava almoçando tranquilamente no restaurante popular. E, como sempre, ouvindo músicas no fone de ouvido na maior altura. Isso me ajuda a me desligar um pouco do mundo à minha volta. Mas dessa vez me desligou de uma maneira que me fez pagar um mico, quer dizer, um micão (que expressão mais antiga shaushasuhasuas). 
     Não sei que carne estava comendo, mas o caldo do osso estava uma "dilícia". Sou uma pessoa simples, e não tenho vergonha de comer o frango com a mão e chupar o caldo dos ossos. Essa carne que estava comendo não era frango, mas o caldinho do osso estava muito bom mesmo. De repente um cara na outra mesa me encarou com uma cara não muito boa. Havia poucas pessoas no restaurante, geralmente almoço mais tarde, quando o movimento é pequeno. Um outro cara que estava passando no corredor também me encarou por um breve momento. Achei estranho, mas continuei a saborear o caldinho do osso da carne que estava no prato. Ai as mulheres que estavam no balcão começaram a rir, deu para ouvir suas risadas, bem ao fundo, por causa da música alta. Olhei para o lado e elas estavam olhando para mim. Somente neste momento é que fui me dar conta da situação: quando estava chupando o caldo do osso da carne, dava para ouvir o som que fazia, parecido um pouco com um tipo de assovio, sei lá... Ai disse para mim mesmo:
    - Como você é burro cara! Se está dando para ouvir você sugando o caldo do osso com essa música alta no fone, então o restaurante inteiro está ouvindo também!
    Fiquei meio sem graça, me ajeitei na cadeira, fiz cara de sério de como não estava acontecendo nada e passei a sugar o caldo da carne com menos vontade, apesar de estar muito gostosa. 


O "rançoso"...

   Como já citei no post "A corrente do bem", passei a cuidar de um cachorro que foi meio que abandonado pelo seu dono, não vou entrar em detalhes sobre como isso aconteceu. Foi uma maneira de retribuir toda a ajuda que recebi nos momentos difíceis da minha vida e também que ainda recebo. Apesar de tudo o que aconteceu depois que a esquizofrenia apareceu em minha vida, posso dizer que sou um cara privilegiado ou sortudo, por ainda estar vivo e poder contar um pouco da minha história. 
    Ele estava triste, "amuado", magro. Afinal, mudou de habitat e também perdeu seu irmão, o rançosinho. Provavelmente ele deve ter se perdido ao sair na rua à procura de alimento. Não aguentei ver a tristeza dele e passei a comprar ração, a brincar com ele e até dei um banho, meio que forçado, para tentar tirar um pouco do ranço, acho que ele nunca havia tomado um banho em sua vida. E ficou mais complexado ainda, pois, quando estava jogando água nele, encostei na tomada que estava pendurada e tomamos um choquinho assustador. Já estou acostumado a levar choques, pois trabalhei como operador de som por vários anos. Mas, e o rançoso? O que se passou na cabeça dele? Coitado, agora é que nunca mais vai querer saber de tomar banho. 
    Mas agora ele já está mais animado e forte, dou ração para ele de manhã e de tarde, além de não deixar faltar água. E o principal também não falta, que é um pouco de carinho. Como ele não tinha nome, resolvi batizá-lo. Mas nenhum nome apareceu em mente. Estava pensando em colocar Pacato, pois ele é bem quietinho e não mexe com ninguém, só não gosta muito que um outro cachorro invada o território demarcado por ele. Mas com os humanos e fora do território, ele é um doce. Me sugeriram Paçoca e outros nomes. Mas resolvi que ele mesmo iria escolher o seu nome: o primeiro que gritei foi rançoso, e logo ele veio correndo em minha direção. Não tive dúvidas: seu nome seria mesmo Rançoso, pois o cheiro ainda continua, porém um pouco mais fraco. Falta ainda comprar um talco para acabar com as pulgas, ele vive o dia inteiro coçando daqui e dali, mas nesta semana vou comprar um talco para acabar com esse sofrimento. 
    Na minha opinião, os cachorros tem sentimentos, parecem ser um pouco diferentes dos outros animais. Eles nos olham bem nos nossos olhos quando gostam da gente, dão sinais para se comunicar, percebem quando estamos tristes. Enfim, são seres que merecem o nosso respeito. 

25 comentários:

  1. Legal o blog, Júlio. Muito sucesso para você! :-)

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    1. Obrigado, foi a forma que encontrei de tentar diminuir o preconceito e o estigma que cerca a esquizofrenia. Infelizmente poucos parecem se importar com essa situação, principalmente a mídia e alguns profissionais da área da saúde mental, que pensam exclusivamente em medicamentos e mais medicamentos para o tratamento.

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    2. Ola, primeiramente parabéns pelo blog. Gostaria de uma orientação, sei q cada caso é um caso e vc n é médico no assunto, mas gostaria de uma opinião pois estou preocupada. Minha mãe tem esquizofrenia, pelo oq li aqui ela passou pelas mesmas situações que vc, hj o médico dela receita 5 tipos de remédios por dia, e eu estou preocupada se tudo isso é realmente necessário, pois acho que sao muitos e os efeitos costeiras e a grande quantidade de comprimidos pode ser preocupante. Os Médicos do Sus realmente não dão nenhuma assistência e eu li q vc só toma diazepam, o caso dela em minha opinião é semelhante ao seu, nao é violenta e tem poucas crises, será q todos esses remédios são necessários e ainda todos os dias? Obrigada.

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  2. Júlio, não compre talco, compre uma coleira forte de silicone, totalmente eficiente que se chama Bulldog. Não acredite na validade de 4 meses que vem estampado na caixa, pois a validade real é a da embalagem de dentro da caixa onde se encontra o produto, isto é, uma validade de 2 anos ou mais. Aqui onde moro vende em supermercados. Acredite vc nunca mais vai ver uma pulga incomodá-lo por um bom tempo.

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    1. Vou dar uma olhada nessa coleira. Dá dó de ver o cachorro se coçando o dia inteiro, deve ficar cansado. E estava meio receoso de colocar talco, pois ele pode querer lamber ao tentar se coçar com os dentes.
      Obrigado pela dica e pela participação no blog.
      Abraços.

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  3. Preconceito no mundo virtual, ah, isso existe mesmo. Sabe-se pouco e imagina-se muito.

    Mas nada que não se resolva com uma boa dose de informação.

    Seu trabalho faz bem a você, e aos outros também.

    Parabéns.

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    1. Verdade, eu mesmo tinha muitos preconceitos em relação à esquizofrenia. Não tinha informação nenhuma, pensava que esquizofrenia era sinônimo de agressividade. Ainda bem que existe a internet para nos informamos, pois a mídia em geral não nos ajuda muito.
      Por isso resolvi criar o blog, é uma tentativa de ajudar um pouco a diminuir o preconceito e o estigma que cerca esse transtorno, que atinge muitas pessoas (1% da população) mas estranhamente é pouco divulgado, a não ser quando um portador comete algum ato violento, dando a impressão que os "ditos normais" também não fazem isso.
      Mais uma vez obrigado pela participação.

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  4. Ola, tive um surto em 2013. De la pra ca experimentei varios remedios. Hoje estou tomando Aristab 10 mg. Desde o surto fiquei muito timido. Fico introvertido até com parentes. O psiquiatra não sabe mais o que tentar. Mais alguém aqui ficou com timidez extrema? O que fazer?

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    1. Obrigado pela resposta e parabéns pelo Blog. Eu acho que minha timidez é uma mistura de medo com falta de raciocínio. Sei que preciso enfrentar mais as situações, mas é difícil sair de casa. O jeito é continuar tentando ser mais sociável. Já tomei o remédio Socian mas nao mudou muita coisa. O próprio nome do remédio leva a entender ser mais sociável. Não sei porque mas o médico nao quer mais me receitar Socian. Enfim, parece difícil encontrar uma solução mágica pra timidez, que no meu caso acho que é um efeito da doença ou sequela do surto que foi muito forte. Um abraço e vamos a luta por melhorias e avanços

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  5. Julio, ja viu o site que fala das vitaminas na melhora da esquizofrenia? Dá uma olhada https://www.docelimao.com.br/site/terapias/86-terapias/1270-esquizofrenia-e-curavel.html

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    1. Sim, eu encontrei esse site ao digitar no google "alimentos bons para a mente". Não sei se cura a esquizofrenia, mas que ajuda isso não tem como negar. Até os "ditos normais" precisam se alimentar bem e ter os nutrientes que os neurônios e o nosso cérebro precisa. Obrigado pela dica.

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  6. Fonte de complexo B, a levedura de cerveja ajuda na memória e outros benefícios. http://www.tuasaude.com/beneficios-da-levedura-de-cerveja/

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    1. Verdade, a levedura de cerveja é boa para a mente, principalmente por causa da boa quantidade de vitamina B. Recomendo que usem, se em pó não for possível por causa do gosto, tem em comprimidos.

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  7. Júlio, você acha possível ficar um dia da semana sem tomar antipsicótico para tomar uma cerveja de leve. Já experimentei ficar um dia da semana sem remédio, mas ainda não com a cerveja. Sei que é meio polemico esse assunto, inclusive já ouvi relatos de morte de quem misturou remédio com bebida. Mas sinto falta de tomar uma cerveja de leve. Esses dias vi um reportagem de um esquizo que chamou uma amiga pra tomar uma cerveja. Ele não relatou se a bebida era sem álcool ou não. A reportagem era sobre a dificuldade de arrumar uma namorada. Enfim, pelos comentários da galera, pelas suas pesquisas e experiências, acha que é possível tomar uma ou duas cervejas um dia da semana suspendendo nesse dia o remédio? fico no aguardo. abração
    Esta aí o site que comentei: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/06/26/relato-a-luta-de-um-esquizofrenico-para-ter-sucesso-no-amor.htm

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    1. Creio que seja possível sim, se conseguir ficar uma semana sem tomar o antipsicótico. O problema é justamente esse: ficar, de uma hora para outra, sete dias sem o medicamento. Isso depende muito de cada um. Uma vez tomei uns dois copos de vinho, e no dia anterior havia tomado haldol, ou seja 24 horas sem o medicamento, e passei muito mal.
      A reportagem é bem legal, me lembro de tê-la lido há alguns anos atrás.
      Mas, procure conversar com o seu psiquiatra sobre isso, talvez uma certa quantidade não faça mal, dependendo da dose e do medicamento que você esteja tomando.

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  8. Olá, Julio, como vai?
    Meu nome Levi, tenho 20 anos e moro em São Paulo. Tenho um irmão um ano mais velho que eu e que, após a separação dos nossos pais, ele entrou em depressão e se isolou do mundo. Agora, alguns anos depois, ele saiu da depressão, mas tem apresentado quadros/sintomas de uma pessoa esquizofrênica. Ele tem transtornos de ansiedade, vira e mexe tem manias de perseguição (que tem alguém querendo fazer mal a ele), ele se apegou muito a religião e agora vive dizendo coisas sem sentido e insistindo que as pessoas precisam de determinadas coisas pra que elas possam ficar 'seguras' no mundo em que vivemos. Já estamos levando ele a um psicólogo/psiquiatra, mas ainda não o diagnosticaram com esquizofrenia, e enquanto isso queremos que ele tome alguns remédios pra que ele controle sua ansiedade e evite ficar falando as coisas que ele fala e para que ele pare com essas manias de perseguição, mas ele se recusa a assumir que ele possui uma doença e que ele precisa de ajuda, além de que ele precisa de remédios para controlar sua ansiedade.

    Eu queria sua ajuda para saber qual a atitude ideal que devemos tomar, já que isso implica diversos fatores, tanto econômicos quanto sociais. Toda a família quer ajudá-lo porque visivelmente ele possui um déficit, mas ele dificulta nosso trabalho de todas as formas.

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    1. Imagino a dificuldade que estão passando. O primeiro e mais difícil passo é a pessoa aceitar que precisa de ajuda e que tem algo que não está muito legal em sua vida. No meu caso, nada me convencia, ainda mais por morar sozinho, tive que passar momentos difíceis durante os surtos até me conscientizar do que realmente tinha. Gostaria de ter uma dica para todas as pessoas de como convenceram uma outra de que elas não estão bem e que talvez precisem de ajuda. Algo que sei que não funciona e só piora a situação e dizer "Isso é coisa de sua cabeça" para a pessoa que esta enfrentando algum problema semelhante. Tente convencê-lo de que fazer terapia, ir à um psicólogo(a) não é coisa de louco, que muita gente vai, etc.
      Obrigado pela visita e pela participação.

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  9. A Vitamina B12 e o folate aliviam sintomas negativos nos pacientes com esquizofrenia
    http://www.news-medical.net/news/20130307/12498/Portuguese.aspx

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    1. Sim, todos precisam das vitaminas do complexo B, quem tem o vício da bebida pode ter sérios problemas mentais, pois o álcool atrapalha e muito a absorção desse nutriente. Obrigado pela dica e pela participação. Só fico na dúvida se as vitaminas em comprimidos funcionam, ou se só conseguimos através das frutas e verduras.

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  10. Nova promessa para os sintomas negativos http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?p=6321
    Já viu sobre esse novo remedio, Julio?

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    1. Já ouvi falar sim, acho que ainda não chegou no Brasil, mas tem o aripripazol, que é semelhante, uma pena ser tão caro É mais indicado para os sintomas negativos da esquizofrenia. Obrigado pela participação, os comentários enriquecem muito as postagens.

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  11. Oi. Meu nome e roberta e tenho 22 anos.
    O meu caso e que eu já tive duas crises. Na primeira como não tinha muito conhecimento fui em um neurologista. Ele me passou antidepressivo mas não melhorei.
    Decidir ir em um psiquiatra e ele me diagnosticou com tag. Tomei pondera e melhorei bastante. Mas não o suficiente então minha mãe decidiu me internar. Lá me diagnosticaram como bipolar. Pois eu havia dito que meu pai tomava litio.
    Tive depressao em que não não tinha sono e meus pensamentos eram tão acelerados que eu chegava a delirar.
    Dessa última vez fui internada de novo.
    Tive mais uma recaída e o doutor disse pra minha família que sou esquizofrenica. Conversei com a minha psquiatra de fora da clínica, em que já vou a um ano. Ela me trata como bipolar, minha psicóloga disse que os esquizofrenica falam coisa com coisa, e não consegue formar frases direito.
    Achei estranho pq vejo que você escreve e pensa muito bem. Bj

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    1. Olá
      Desculpe a demora em lhe responder.
      Você sofreu um bocado na mão desse pessoal, cada um te dando um diagnóstico. O que mais me assusta é o seu relato em relação a sua última psiquiatra, que te trata como bipolar, já que portadores de esquizofrenia, na opinião dela, não falam "coisa com coisa". Existem vários tipos de esquizofrenia, já vi portadores com inteligência acima da média, outros na média e outros um pouco abaixo da média. E tem portadores de esquizofrenia com déficit mental também. Aconselho a assistir o filme "mente brilhante", que é baseado em fatos reais, e fala sobre um esquizofrênico que ganho o prêmio nobel de ciências contábeis. Também tem o livro "Entendendo a esquizofrenia" que tem uma linguagem bastante acessível e é muito bom e informativo.

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  12. Gostei de seu blog. Mas uma coisa eu não concordo jamais com vc: vc dizer que não foi internado porque não era agressivo. Vou te falar uma coisa: as pessoas não são internadas pelo fato de estarem agressivas. Se a pessoa, por exemplo, tiver que tomar quinze tipos de remédios, aí sim ela precisará ser internada, pois não pode correr o risco de tomar tantos medicamentos em casa. As vezes a pessoa está muito fora da realidade e precisa ser internada, para voltar a realidade com o tratamento. Mas você citar que não foi internado porque não estava agressivo é o mesmo que dizer que as pessoas são internadas porque além de estarem doentes, são agressivas. É uma forma de rotular os doentes que são internados e de preconceito. Talvez um médico te disse isso, só não vou te internar pq vc não está agressivo, mas não se interna as pessoas pq estão ou não agressivas, e sim porque estão doentes mentalmente, simples assim. Acho que você não foi internado porque tinha um pouco ainda noção da realidade, ou seja, seu surto foi leve.

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    1. Como disse, não fui internado por que não era agressivo. E, como morava e ainda moro sozinho, como iria ser internado, já que nos surtos a minha reação era de fugir dos inimigos que estavam em minha mente? Poderia sim ser internado em algumas situações, como na vez em que pedi para o guarda rodoviário me prender, pois disse a ele que era um réu confesso. Mas, no geral, ficava quieto, não falando nada. E existem milhares de moradores de rua que têm esquizofrenia e não são internados...

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