sábado, 14 de março de 2015

Tive que reatar com a "Clô"

    Hoje(18/11) tive um sono de qualidade. Parece uma coisa banal, mas não no meu caso e creio que no de alguns portadores de esquizofrenia. Demorei, mas acabei descobrindo quais são os quartos mais tranquilos neste albergue de Belo Horizonte. No arsenal da esperança, em São Paulo, existem quatro alas enormes, e os usuários são alocados pelas assistentes sociais de acordo com o perfil de cada um.
    Já neste abrigo em BH, a seleção é natural, os mais quietinhos chegam mais cedo e ocupam os primeiros quartos, já a galera mais agitada chega um pouco mais tarde e ocupa os quartos do fundo do corredor.
   Este sono bom só foi interrompido por um cara que parece não dormir. Às vezes ele passa a noite inteira andando de um lado para outro, que nem um sonâmbulo. Mas ele fica acordado e não para de falar um minuto sequer. Ele diz, entre outras coisas, que vai "desmanchar"(dar uma porrada) não sei quem. Apesar de conversar baixinho, o monólogo incomoda. De madrugada, qualquer ruído se transformo em um estrondo! Falo "xiu" para o zumbi se calar, mas ele não sossega. Provavelmente deve ter algum tipo de esquizofrenia.
    "São quatro e quinze da manhã, e ainda dá para cochilar uns 45  minutos" - pensei comigo mesmo.
    - Hoje vai ter jogo do Brasil, né? - pergunta um dos abrigados.
    - Vai sim, e esse jogo vai mudar as nossas vidas. - respondi, ironicamente.
   Não gosto de confusão e zoar as pessoas que não conheço direito, mas o cara vem me falar do "jogaço" da seleção do Dunga contra a poderosa seleção da Austrália, às quatro da manhã e em pleno horário de verão? Fala sério...
    O sono me proporcionou um sonho legal. Não foi nada de extraordinário, me lembro apenas que estava conversando com duas pessoas. Mas como um sonho tão simples pode ser considerado tão legal assim?
É que nele era o antigo Julio que estava falando e não o paranoico atual. Era um cara distraído e que não reparava em nada à sua volta. Acho que todo sonho de portador de esquizofrenia é se ver livre desse transtorno. Ganhar na mega sena talvez fique em segundo plano, pois com a cabeça cheia de paranoias não dá vontade de se fazer muita coisa. Acho que até aumentaria a mania de perseguição por ter tanta grana.
    Não tenho certeza se neste sonho estava dormindo profundamente ou se apenas estava pensando enquanto cochilava. A única coisa que sei é que sou um paranoico assumido e que sonha a todo momento em voltar a morar em meu canto. Mas não precisa ter medo do esquizo aqui, sou paranoico, mas sei me controlar. Muita gente ao menos desconfia que é paranoica e cometem atos de violência pensando que estão corretos. É preciso nos conhecermos melhor e mais profundamente. Surtar, no meu caso, teve esse lado positivo, pois, estudando a esquizofrenia, passei a me conhecer e a me entender melhor.
    Uma das coisas que mais tenho saudades é de sair andando pela cidade sem reparar em nada e em ninguém. Como era bom ir ao cinema e prestar atenção somente no filme!
    Por isso hoje o meu projeto é ter o meu cantinho, uma TV LCD e um home theather, ou seja, um pequeno cinema em casa. Pode parecer frescura, mas para quem permanece cerca de 23 horas dentro de seus aposentos, se faz necessário algo para se fazer para passar o tempo. Assistindo um bom filme consigo me desligar desse mundo maluco. Quando jogo futebol também consigo esquecer de tudo. Às vezes no mosaico também, isso quando não cismo com um dos participantes da oficina. Enfim, tudo é complicado em uma mente paranoica, até se divertir.
    Muita gente procura fugir do mundo usando as drogas ou o álcool, outros procuram o isolamento.  É o tal do escapismo, quem me apresentou à essa palavra foi um padre que preferiu seguir a vida religiosa. Eu fujo deste mundo em meu mundo, viajando nos filmes e seriados de TV.
cada um "escapa" do mundo de sua maneira

Eficiente?
    Tenho consciência de que, no momento atual não estou bem. Quero trocar o medicamento, a risperidona me dá uma fome danada, e, consequentemente um considerável prejuízo financeiro, além de aumentar os meus níveis de colesterol.
    Ontem(17/11) avistei, na fila de entrada do abrigo,  um opala preto de quatro portas passando lentamente  pela rua. Naquele instante não dei muita importância ao fato, mas, depois que avistei algumas pessoas com quem tive pequenos atritos por não respeitarem o sono alheio, as paranoias voltaram com uma intensidade parecida com a dos surtos que tive.
   Comecei a pensar que os caras do opala estavam à minha procura. Havia quatro caras no opala de quatro portas. Se estavam andando devagar é por que realmente estavam procurando algo. Geralmente esse tipo de veículo é usado para facilitar a saída e entrada em uma fuga.
    Essas situações provocadas pelas paranoias são estressantes, mas não me desespero. Se querem me matar realmente, então que façam isso o mais rápido possível. Creio que essa indiferença com esta vida terrena me ajuda a não ser agressivo. Digo indiferença e não vontade de me auto exterminar, o que é bem diferente. Se querem tirar a minha vida por não ser um cara "sociável", então que me eliminem, como se fosse a vida fosse um BBB, um jogo cheio de falsidades e interesses. Não sei mudar o meu jeito de ser para agradar as pessoas.
    Neste abrigo não sou bem quisto. Aliás, me estranharia se fosse popular neste ambiente. Não converso muito, e isso às vezes é confundido com mitidez. Estou estressado, e às vezes digo coisas que não deveria falar. Sei que este não é o meu lugar, este abrigo deve estar parecendo com uma cadeia(nunca estive em uma, para poder fazer e comparação. Só fui em uma quando trabalhava como operador de som. Mas não se assustem, estava na penitenciária trabalhando na inauguração da mesma. Teve até salgadinho e o serviço de som foi necessário para que as autoridades falassem.
    Nos primeiros surtos que passei, tive pensamentos persecutórios bem parecidos com este que tive em relação ao opala preto de quatro portas. A diferença é que naquela época todo mundo queria me matar e não somente um grupo específico de pessoas. (hoje sei que naquela oportunidade uma pessoa apenas queria tirar a minha vida, se aproveitando do meu estado mental. Sei que superdimensionei a realidade). Tinha algumas pessoas querendo que eu me desse mal, mas não era todo mundo. Então, depois de vários dias surtado e fugindo dos inimigos que estavam em minha mente, minhas energias se esgotaram. Parei de fugir das pessoas e pensava que os catadores de material reciclável queriam a todo custo me matar. Era o ano de 2003, e estava no meu segundo surto psicótico. Naquela época, certos catadores não se davam muito bem com os moradores de rua que não trabalhavam e tomavam umas cachacinhas. Certa noite avistei um catador e não fugi como sempre fazia. Permaneci deitado, imaginando que ele voltaria com seus amigos para darem o fim em mim. Não me desesperei, já estava cansado de fugir de tudo e de todos. Então, se me matassem, o sofrimento também cessaria. Considero isso um breve momento de lucidez inconsciente de uma mente paranoica e surtada.
    O ambiente neste abrigo é um pouco carregado e tenso, na maioria das vezes. Já disseram que ali funcionava um IML e que o local talvez esteja povoado de espíritos que perambulam pela terra. Almas penadas, que não foram bonzinhas o suficiente para irem para o paraíso, mas que também não foram tão mauzinhas para queimarem eternamente nas chamas ardentes do inferno. Mas não creio que fatores sobrenaturais sejam a causa do ambiente pesado. São muitas pessoas vivas confinadas, cheias de problemas a causa de tudo. Então, qualquer coisinha pode ser motivo para uma briga ou discussão. Até mesmo a abstinência do álcool e das drogas causa uma certa confusão.
o autor deste comentário provavelmente não precisa do serviço do SUS...
     Nesta situação e ambiente, eu não poderia estar bem. Sei que preciso conversar com um psiquiatra sobre medicamentos. no CERSAM me informaram que só atendem emergências. Já no posto de saúde, onde pego os medicamentos, o clínico geral que me atende me disse que não tem permissão para trocar medicamentos psiquiátricos. Fui em um hospital e só tem vaga para o ano que vem, pois o pessoal já está de férias. Cadê a eficiência citada no comentário por essa pessoa? Essa pessoa só pode estar brincando, ou então não depende do SUS e nem assiste os noticiários da TV. Não deve ter noção do que é esperar uma consulta com um especialista, por exemplo. Na minha primeira viagem, há quase dois anos atrás, tive uma tendinite que me fez mancar por alguns meses. Ficaram de marcar uma consulta com o ortopedista e até hoje não me ligaram.... A pessoa do comentário, quando pega uma dengue,  será que vai para uma UPA para ser atendida no corredor e esperar cerca de doze horas? Ou será que o SUS é realmente eficiente, e eles estão me boicotando por criticá-los aqui no blog?( brincadeira, não estou tão paranoico assim....)
    Meu caso não é extremamente grave, mas é complicado e o sofrimento não deixa de ser menor por talvez eles acharam que estou estabilizado. Mas a verdade é que não existe a medicação contra a realidade deste mundo. Cada um escolhe a maneira de escapar dessa loucura toda. Não uso drogas , prefiro ficar no meu cantinho, e literalmente viajar assistindo filmes.
    Paranoias: elas não diminuíram , apenas me acostumei com elas e aprendi a ligar melhor com este mal que assola a cabeça de tanta gente.

Sincronicidade

                                                   Meu mundo e nada mais
    Já que abordei o tema escapismo neste post, queria colocar a música "Além do Horizonte", do Roberto Carlos, ou então "Vamos fugir" com o grupo Skank. Mas no dia em que digitei este post e o arquivei como rascunho, resolvi baixar algumas músicas do Guilherme Arantes e do Flávio Venturinni.  De tarde, já no parque, comecei a ouvi-las e quase não acreditei quando rodou "Meu mundo e nada mais", do Guilherme Arantes. Tive que ouvi-la de novo para ver se era realmente verdade o que tinha ouvido. Era coincidência demais, com o que estou vivendo e passando. Ou seria a tal sincronicidade?


Quando eu fui ferido vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia
Só sobraram restos e eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha
Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
À meia-noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais
Não estou bem certo se ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura
Como ser mais livre, como ser capaz

De enxergar um novo dia


16 comentários:

  1. Acho que voce deveria seguir o tratamento recomendado, por que eu digo isso ? Pois virei um robo sem medicamentos, tenho embotamento afetivo (nao expresso emoçoes), alem disso uma sensaçao de vazio e todos os outros sintomas negativos que sao terriveis, incluindo uma consideravel baixa da libido, imagine nao poder chorar ou sorrir ou ate mesmo sentir medo. Esse e meu dia a dia e nao esta sendo facil segurar a barra, so nao desisto por consideraçao a minha familia que sempre me amou e me deu apoio mas nao e nada facil. No tocante ao atendimento na questao de ser ouvido eu te dou ate razao mas acho que voce deveria refletir mais sobre o futuro e suas eventuais consequencias. Gosto do seu blog por ele ser uma boa fonte de informaçao e por demonstrar sua coragem em relatar os problemas que enfrenta com a esquizofrenia. Quem sabe algum dia nao nos encontramos para tomar um cafe. Abraços e melhoras.

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  2. Olá, obrigado pela visita ao blog e pelo conselho. Mas, na questão dos medicamentos contra os sintomas negativos, eles também me fazem sentir um robô, pois parecem cortar as minhas emoções e sentimentos, além é claro de me sentir um robô fisicamente falando, por ficar muito lento. Tudo fica sem graça, até mesmo quando meu time faz um gol. E sei que a patologia também nos deixa sem as emoções um pouco, então é um beco sem saída por enquanto. Talvez algum antidepressivo resolva, mas acho difícil um antipsicótico resolver o embotamento afetivo e o desânimo causado pela esquizofrenia.
    Gostaria de parabenizar sua família, pois, infelizmente grande parte dos familiares não entendem o portador, e nem procuram se informar sobre o transtorno, o que só piora o quadro do paciente.
    Em relação ao café, fica o convite, ainda quero sair por ai nas minhas andanças, só que agora tenho que pagar aluguel e já não sobra tanta grana para viajar.
    Abraços

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  3. Olá Julio,

    Acho que o grave problema das pessoas com transtornos é ficar dentro de casa....cama é o pior remédio.
    Eu, que me considero "normal" quando fico um final de semana dentro de casa, na semana seguinte sinto tédio, sono piora.....

    Por isso, Julio, dá um jeito em voltar a caminhar, pode parecer loucura, mas muita gente no mundo resolve graves problemas mentais caminhando....tem um canadense que estava com uma séria depressão, resolveu de uma hora para outra, caminhar..... saiu de casa e disse que ia dar uma voltas....sabe quantos quilometros ele andou..... mais de 70.000, em mais de 10 anos.....
    Não existe coisa melhor do que a liberdade, vc já testou isso quando fez a estrada real, não é verdade?

    Refizemos a estrada real novamente, só que ao inverso...saimos de Parati-RJ e andamos até Diamantina-MG, foram quase 1100 kms em 33 dias..... sono bom, humor nas alturas, disposição de acordar as 03 da manhã, dormir à tarde..... comer frutas na estrada direto do pé......tomar 6 horas de chuva na cabeça....levar uns tombos....essas maravilhas.

    Coloque a tua conta para quem dispor a lhe ajudar!
    mario.

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  4. Bom dia, Julio ! Pesquisando sobre o tema encontrei seu blog. Faço psicologia e lendo alguns dos seus posts, achei muito interessante senão curioso, a forma com que você lida com a esquizofrenia, tão natural, como deve ser tratado mesmo. Mais cedo conversava com um amigo sobre e ele me contava da experiência de ter estagiado na casa das palmeiras, aqui no Rj (não sei se você conhece, é uma espécie de ponte entre a saída de uma internação e a reinserção na sociedade), e uma das coisas que ele me falou e que acho que quando você diz que não teve boas experiências com psicólogos (e psiquiatras) tem a ver com isso, é que no primeiro dia dele ele pensou, como vou fazer pra curar esse pessoal ? E com o passar do tempo, ele viu que isso não seria possível, você tá lidando com pessoas, cada uma com subjetividade, uma vida ... não dá pra voltar atrás. Mas o trabalho seria justamente esse, "humanizar" essas pessoas, mostrar que somos todos iguais, seja por meio de atividades onde todo mundo participa: estagiários, pacientes, colaboradores ou até quando alguém tá triste e eles vem com palavras de consolo e tal. Ele me contou tanta coisa de lá que escreveria aqui a noite toda. rss Enfim, dei essa palestra toda, primeiro pra te parabenizar pelo blog, pela forma que encara isso tudo e agradecer pelas coisas que escreve. Com relatos reais e experiência você conseguiu destruir muitos dos conceitos que eu tinha. Obrigada, obrigada e obrigada ! Muita luz !

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    1. Eu que agradeço pela participação e pelas palavras. Creio que muitos psicólogos e psiquiatras não dialogam normalmente com um portador de esquizofrenia, o que cria uma certa distância. Claro que existem os bons e maus profissionais não só nesta área mas como em todos os setores da sociedade em que vivemos. E ainda tem que se contar a estrutura, principalmente do sus, que em alguns casos não ajuda, e o profissional é obrigado a atender várias pessoas em um curto espaço de tempo. E no meu caso, o fato de mudar constantemente de cidade e psicólogas talvez não tenha ajudado. Mas a falta de estrutura foi fundamental para não ter tido boas experiências nas terapias.

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  5. Para ele que é normal , deve ser muito legal ,pegar os amigos e sair por ai ...quem não quer? dar palpite na vida dos outro é muito fácil, principalmente pra quem não vive o mesmo problema.

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    1. Mas é legal mesmo sair pela estrada real, pelas estradas de terra de Minas Gerais. Paisagens bonitas, ar puro, gente simples e hospitaleira. Me sinto bem, pois quase não se vê pessoas durante essas viagens, só pessoas simples do interior de Minas. Só não faço mais essas viagens por que gasta dinheiro e como estou pagando aluguel fica um pouco mais difícil. Faz bem para a alma.

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  6. Olá! Gostei muito do seu blog. Participo de um grupo de jovens de minha igreja, e recentemente recebemos um jovem portador da esquizofrenia. Por causa de seu comportamento acreditamos que ele não faça uso de seus medicamentos, além dos pais as vezes ligarem pedindo ajuda. Fiz uma pesquisa sobre a doença e cheguei até o seu blog, achei muito bacana, porque podemos entender o outro lado. Mas precisamos de ajuda para saber como devemos nos comportar com ele, o que podemos fazer para ajuda-lo. Um grande abraço.

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  7. olá anônimo,
    A vida é difícil pra todo mundo, não faço isso pq sou "normal".

    Dei uma sugestão ao Julio, pois sempre abortamos esse tema, sobre o benefício do exercício físico para os indivíduos.
    Estamos aqui para colaborador, pois sei que o Julio é pessoa do bem.

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    1. Obrigado, realmente caminhar pelos vales de Minas acaba com qualquer depressão. É uma outra vida, sem o stress da cidade grande, sem o medo de sermos assaltados, da violência, do trânsito. Uma vez uma pessoa me perguntou se não tenho meda de alguma cobra ou onça aparecer pelos caminhos da estrada real, parei para pensar e disse que tenho mais medo de andar no centro das grandes cidades hoje em dia. Obrigado Lucio pela participação. A pessoa que postou o comentário provavelmente deve estar passando por um período difícil, mas estamos ai para ajudar no que puder.

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  8. Julio,

    Entendo perfeitamente!

    Sei do grande benefício que esse blog trás aos portadores de esquizofrenia, realmente vc aborda de um jeito muito legal.
    As vezes queremos dar palpites na vida dos outros, isso realmente não é muito legal, concordo com ele.

    Mas, quando vc estava fazendo a estrada real, apesar dos problemas com a barraca, vc mostrava muito otimismo, e parecia que nem tinha o transtorno.
    abs
    mario

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    1. Sim, eu concordo. A viagem me fez um bem que não tem como descrever. Se pudesse, passava o resto de minha vida assim. E confesso que ainda penso nessa possibilidade. Não é nada legal ficar trancado o dia inteiro no quarto, na frente do notebook ou assistindo televisão, mas é muito cansativo também ficar morando na barraca. O ideal seria um meio termo, mas infelizmente tenho que pagar aluguel para ficar guardando minhas coisas. Mas sua participação é sempre bem vinda, fico feliz em saber que não sou o único a gostar dessas andanças.
      Obrigado e continue me informando sobre suas caminhadas.

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    2. Diante de tudo que foi dito a favor das andanças... eu peço até desculpas pelo comentário e ainda acrescento que vou experimentar tal façanha...se me for possível.

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    3. Olá, não há o que se desculpar, o blog é para isso mesmo, para as pessoas colocarem seus pontos de vista livremente. infelizmente tive que colocar moderação nos comentários pois já houve algumas ofensas, mas foram poucas. A maioria dos comentários são construtivos e costumo dizer que faz parte do blog essa interatividade. Alguns comentários acho até mais interessante do que o próprio post, aprendi muito com as participações dos leitores. Se um dia fizer uma andança me fale, eu só não estou fazendo por questão de grana mesmo, mas vou tentar juntar o suficiente para fazer pelo menos uma por ano.

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  9. Muito bom! Cara, preciso que vc analise minha situação, já que és mais experiente nesse assunto... Tenho a impressão de que muitas, não todas as pessoas da minha cidade, que não é muito grande, escarnecem de mim, em grande parte os adolescentes. Sim, já fiz coisas que fogem do padrão de normalidade social na minha cidade, então fico com dúvidas, será só coisa da minha cabeça ou não? Já li vários artigos sobre a mania de perseguição e certo dia, tentei fazer algo raro, sair de casa encorajado por um artigo que li sobre isso, que dizia que isso era, em grande parte, só coisa da mente. Então quando passei numa rua, fui escarnecido com gargalhadas cruéis e naquela ocasião, tive certeza que era comigo. Esse tipo de coisa me deixa com dúvidas, será só coisa da mente ou realmente sou marcado pelas loucuras que fiz na minha cidade quando tive os meus surtos de esquizofrenia? Ou ainda, será que agem comigo como agem com todo mundo, mas em mim o efeito é mais devastador devido à minha fraqueza emocional? Cara, isso é chato, pois devido a isso, só saio de casa pro trabalho e mal...

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    1. Olá Josiel, desculpa pela demora em lhe responder. Já passei por essa situação que você relata, e isso é complicado mesmo de distinguir se é realidade ou não. E pode ocorrer algo intermediário, ou seja, aumentamos a realidade. Infelizmente em cidades menores as pessoas se conhecem, as famílias também se conhecem. Na minha opinião, que não pode ser a verdade, pois não sou o dono dela, talvez você esteja aumentando a realidade, ou seja, algumas pessoas talvez estejam falando sobre você, e isso acontece com várias pessoas. O problema é que talvez você seja uma pessoa mais sensível e, como você mesmo afirmou, o efeito é mais complicado no que na maioria das pessoas. Acho que você deve encontrar alguma forma de não ligar mais para isso, comigo aconteceu de ter que passar por situações complicadas e quase morrer para deixar de dar importância a opinião alheia. Obrigado pela participação e espero ter ajudado.

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