sexta-feira, 20 de março de 2015

Carimbadores maldosos

 
    No último dia 15(domingo), assisti com a maior indignação a matéria "carimbadores" no programa Fantástico, da Rede Globo. O assunto era os portadores de HIV que conscientemente transmitem o vírus da AIDS para várias pessoas. E, o mais assustador é que essas "pessoas" criam grupos nas redes sociais para compartilharem dicas de como "carimbar"(contaminar) pessoas saudáveis.
Fui atrás de dois blogs que davam essas dicas mas eles foram desativados depois da matéria.
    Para quem ainda não viu, ai está o link para assistir a matéria na íntegra:
http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/grupos-compartilham-tecnicas-de-transmissao-do-virus-da-aids.html

    Não tenho AIDS, mas, por um bom tempo cheguei a ter a certeza em minha mente que tinha, e isso ocorreu principalmente pelos boatos sobre a minha pessoas, que circulavam em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Se eu engordava, comentavam que eu estava feio, e, se emagrecia, estava com o vírus HIV. O pessoal comentava até se eu estava com a mesma roupa do dia anterior...
    É aquele negócio: uma verdade dita várias vezes acaba se tornando realidade, ainda mais em uma mente paranoica como a minha. Então entrei em depressão e enlouqueci. Fiquei tão pirado a ponto de não acreditar nos vários exames que havia feito e que deram negativo para o vírus HIV. Imaginava que até os laboratórios estavam no complô contra a minha pessoa, alterando o resultado, para que assim eu não tivesse acesso aos medicamentos e consequentemente sofresse mais e morresse mais rapidamente.
   Para mim, aquilo foi o fim, uma sentença de morte mesmo. Fiquei um bom tempo esperando os sintomas da síndrome aparecer para dar cabo à minha vida e assim evitar o sofrimento físico, pois o mental chegou a culminar com as minhas energias.
    Mas, como disse, foi apenas um boato criado pelo povo e que se transformou em realidade naquela cidade e, depois em minha mente. Não vou colocar a total culpa desse fato em alguns moradores fofoqueiros daquele lugar. Tenho que admitir que o erro foi meu, em insistir em morar em um lugar onde algumas tradições ainda são de uma província do Brasil colônia. O pior inimigo está mais perto do que imaginamos, e está dentro de nós mesmos. A pior derrota é a quando perdemos para nós mesmos.
as fofoqueiras, em Montreal, Canadá

    Foi uma longa história essa de pensar que tinha AIDS. Já contei boa parte aqui no blog, e a descrevo totalmente no livro Mente Dividida. Foram alguns anos de muito sofrimento mental e muitos perrengues, até finalmente acreditar nos exames que davam negativo para o vírus HIV. Se existe algo que posso dizer que sei, é o sentimento de alguém que está com o vírus da AIDS e que só pensa em ver o sofrimento acabar. Na época, ainda não acreditava que um portador do vírus HIV pudesse ter qualidade de vida com os medicamentos.
      Mas o sentimento de culpa exagerado ajudou também a desencadear o meu primeiro surto. Em um certo momento, cheguei a contar com quantas pessoas havia tido uma relação sexual sem o uso do preservativo. Foram poucas vezes e, sem dificuldade me lembrei de todas as vezes que cometi essa imprudência. Foram cinco vezes, e, cheguei a supor que, se tivesse contraído o vírus na primeira relação, poderia então ter passado o vírus para quatro pessoas! Me senti culpado, a pior pessoa do mundo, um criminoso. Na fase aguda do surto, cheguei a me "entregar" para um policial rodoviário, quando estava perambulando pelas rodovias que cortavam a cidade de Belo Horizonte.
    - Pode me prender, sou um réu confesso. - eu disse, mostrando as minhas mãos para ser algemado.
    Queria ser preso e condenado, passar o resto dos dias na cadeia, eu estava tão fora da realidade naquele surto que me imaginava preso, mas naquelas celas dos filmes americanos, onde no máximo duas pessoas compartilham o mesmo lugar, em um beliche... Mas o policial apenas riu e falou um pouco de Deus para mim, oferecendo depois um marmitex, que joguei fora, por acreditar estar envenenado e que o guarda era mais uma pessoa que estava querendo o meu fim.
    Mas esses carimbadores do mal não merecem esse tipo de cela, merecem mesmo é dividir o local com mais vinte, e todos juntos, assim pode transmitir e retransmitir o vírus entre eles. Assim poderão criar um vírus modificado e super resistente, mas, como passarão o resto dos dias em suas celas, esse mal só ficará entre eles. Acho que nem o direito aos medicamentos eles deveriam ter, pois são caros e são os cidadãos de bem é que pagam eles com os impostos.
    Confesso que senti nojo desses caras que foram entrevistados no Fantástico. Deu para sentir  a satisfação e o prazer com que eles contavam suas "façanhas", e teve um que afirmou ter perdido as contas de quantas pessoas havia carimbado(contaminado).
    Para piorar a situação, um "psiquiatra" tinha que dar o seu pitaco, e afirmou que quem comete esse tipo de crime é uma pessoa doente, que tem um tal de "transtorno de personalidade antissocial".
    Não sou totalmente contra a psiquiatria, mas esse é um dos assuntos que mais questiono aqui no blog, que é o fato de querer classificar falta  de caráter como um tipo de transtorno. Perversidade, falta de caráter e outros coisas mais não devem ser consideradas doenças de maneira alguma. Esses carimbadores deveriam ficar presos todos juntos em uma pequena cela e pararem de receber a medicação. Me desculpem, mas lugar de assassino é na cadeia, apesar de que hoje a qualidade de vida do soropositivo está bem melhor do que antes.  A justiça  considera que esse ato é apenas uma lesão corporal, crime de perigo de transmissão de moléstia grave e incurável.  Mas, e o prejuízo psicológico a quem é vítima desse tipo de crime? Por isso considero essas pessoas assassinas, pois matam sonhos e projetos de vida de muitas pessoas. Não acho exagero nenhum e crueldade prenderem esses caras na mesma cela e cortarem o uso dos medicamentos. Eles não merecem que o povo que paga seus impostos o sustentem em uma penitenciária...
    O problema maior é conseguir a prova do crime, pois grande parte dos contaminados são homossexuais masculinos e que trocam de parceiros várias vezes em um mesmo dia. Esse tipo de crime acontece geralmente em saunas e casas de sexo. Às vezes transam no escuro e nem sabem com quem estão tendo a relação sexual. Espero que os homossexuais não interpretem mal o que acabo de afirmar, mas não disse todos e sim boa parte. E é fato que uma mulher soropositiva tem menos chances de transmitir o vírus da aids para o seu parceiro, do que um homem para outro homem. Nesta situação, é preciso haver feridas nas genitálias ou na boca de ambos os parceiros para que aconteça a contaminação. Mas também não é tão raro casos de mulheres que foram contaminadas por um homem e, depois, como forma de vingança, tiveram relações sexuais com vários homens para transmitir o vírus da aids.
    Então é isso, este post é um desabafo também, pois fiquei revoltado ao ouvir os entrevistados e constatar o prazer com que contavam suas "façanhas".... Deve ser um misto de prazer e revolta, devem pensar que, se alguém fez isso com eles, então devem fazer isto com o maior número de pessoas possível... Seria apenas um sentimento de vingança? Ou é perversidade mesmo e falta de caráter?
comentário na matéria do site...
    Me desculpe se fui um pouco rude neste post, mas dá para sentir revolta. Enquanto eu surto por achar que contaminei pessoas sem querer,  e peço para ser preso, algumas pessoas se orgulham pelo fato de terem contaminado um grande número de pessoas. Para mim merecem pagar na cadeia e sem o uso dos medicamentos, para sentirem na pele o sofrimento, já que pensam que tomando os medicamentos estarão a salvo de qualquer problema.
    Por um tempo senti na pele o que é ser um portador do vírus, e, neste período evitei beijar na boca de algumas mulheres, e usei o preservativo nas poucas relações que tive nesse tempo. Não entra em minha mente como uma pessoa possa sentir prazer em cometer tal crime. Me senti a pior pessoa do mundo por pensar que havia contaminado algumas pessoas. Uma mulher chegou a pensar que havia contraído o vírus da aids só por que havia me beijado. Me lembro até hoje de seu olhar condenador quando a encontrei depois que ficou sabendo do boato, que naquela época era uma verdade em minha mente. Ela não me disse nada, e nem precisava, deu para entender tudo naqueles olhos cor de mel.
    Esses carimbadores não são doentes, não tem nenhum tipo de transtorno mental, o que eles não tem é  caráter e o que os movem são os sentimentos de vingança aliadas a maldade e perversidade que domina alguns "seres humanos". A consciência desse tipo de gente não pesa pelo simples fato de não existirem em suas mentes...

7 comentários:

  1. Na verdade, o transtorno de personalidade antissocial não é um transtorno mental e sim um transtorno de personalidade. É a psicopatia/sociopatia.

    Algumas dessas pessoas que escolhem transmitir o HIV de propósito podem ter esse tipo de transtorno. Elas são psicopatas, que não se preocupam com ninguém, não sentem empatia e não pensam duas vezes antes de prejudicar alguém.

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    1. Me desculpe, mas ainda continuo achando isso uma tremenda falta de caráter e perversidade mesmo. Me desculpe, a psiquiatria quer classificar até as pessoas maldosas, existe o bem e o mal, e essas pessoas escolheram fazer o mal.

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    2. Mas psicopatas não são exatamente conhecidos por ter um bom carater. Eles são perversos por natureza. Escolhem fazer o mal pq podem. Simples assim.

      E o pior...eles podem ser considerados serial killers.

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    3. Me desculpe, mas a minha opinião é que a psiquiatria quer classificar tudo e a todos. Querem complicar certas coisas, a pessoa é má e perversa e inventam o transtorno de personalidade antissocial. Se a criança é agitada ela é hiperativa tem deficit de atenção, se a criança é quieta demais provavelmente inventaram alguma classificação, que eu ainda não descobrir. É óbvio que existe um exagero por parte da psiquiatria. Para mim é cadeia por serem maldosos mesmo, além de serem motivados por um sentimento de vingança.

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  2. sou diagnosticado, com esquizofrenia paranoide cid 10 f20, tenho aompanhado o blog.tenho 24 anos.

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  3. Obrigado pela participação, concordo que a matéria no fantástico foi um pouco incompleta. E também creio que deixaram de mencionar as pessoas que não fazem parte de nenhum clube, mas que transmitem o vírus como uma forma de vingança.

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  4. Não pensam que o Brasil é um dos poucos países a fornecer remédios para HIV de graça e do jeito que estamos caminhando com a nossa presidANTA cortando gastos... ela pode achar que está caro com o número de portadores crescendo e cortar o fornecimento... é triste porque tem muita gente maldosa, mas tem muita gente boa com um caráter inigualável. Pagam os maus e os bons.

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