sábado, 6 de dezembro de 2014

Teste de esquizofrenia

 
esquizofrenia paranoide F20
    Certo dia resolvi dar mais uma pesquisada sobre a esquizofrenia, e, na primeira página do youtube, depois de digitar o nome do transtorno, me deparei com o teste abaixo:
   De uma maneira simples, segundo o teste, quem conseguir visualizar uma outra máscara na parte de trás da mesma não é esquizofrênico. Quem conseguir ver o fundo oco da máscara giratória é esquizofrênico. Maiores detalhes sobre o teste, é só clicar no link(as palavras na cor azul lhe direcionam para a página, sem sair do blog). Segundo os pesquisadores que elaboraram o teste, o cérebro do esquizofrênico, por causa de algumas "falhas nas conexões", não consegue distinguir certas imagens.
    Na minha humilde opinião de portador e pesquisador, um transtorno mental, que ainda nem têm suas causas definidas com 100% de certeza, não pode ser diagnosticado ou detectado com um simples teste de imagem. A esquizofrenia não é só cérebro, é a mente também. É um conjunto de comportamentos, pensamentos, se fosse tão fácil assim os psiquiatras não demorariam tanto tempo em certos casos para diagnosticar o problema, sendo que muitas vezes a esquizofrenia é confundida com a bipolaridade.
    A maioria dos amigos portadores que tenho na internet conseguiram ver as duas máscaras. Poucos afirmaram ter visto apenas o fundo oco da máscara giratória(cerca de 10%).
    Como o teste pode diagnosticar com precisão se uma pessoa é esquizofrênica ou bipolar, já que os sintomas são parecidos? Será que os cérebros não seriam parecidos também?
    E até mesmo a esquizofrenia tem os seus subtipos: simples, catatônica, indiferenciada, a mais comum que é a paranoide, etc. E mesmo em se tratando da paranoide, pode haver muitas diferenças de um caso para outro. Alguns surtam mais, outros são mais agitados, outros mais retraídos, alguns são agressivos quando estão surtados.
esquizofrenia catatônica
    É como disse o autor do livro "Cadê minha sorte?": Não existe a esquizofrenia, e sim as esquizofrenias.
    Na minha opinião, um teste virtual mais confiável seria um questionário abordando temas como o comportamento da pessoa, se ela se sente vigiada, se imagina ter o seu pensamento invadido, etc. E mesmo assim esse teste não seria conclusivo, ou seja, ele apenas poderia aconselhar a pessoa a procurar um psiquiatra para uma abordagem mais completa.
    Creio que a psiquiatria em geral está olhando muito para o lado orgânico do transtorno, e se esquecendo um pouco da mente humana. Uma amiga holandesa chegou a comentar comigo sobre isso no facebook, disse que em seu país as coisas são um pouco diferentes.
    Me lembro que, por volta do ano de 2005, li em um antigo CID que o complexo messiânico e o sentimento de culpa exagerado eram sintomas da esquizofrenia paranoide F20. Hoje em dia não esses sintomas não estão mais incluídos, por que será?

9 comentários:

  1. Muito interessante este post. Precisemos concordar, eu e você, que é difícil, no campo da filosofia, pensamentos e atribuições, viver nesta que é uma sociedade pós moderna. Eu mesmo procuro encontra "o chão" na sociedade e não encontro. Como Deus é bom, e suas palavras idem, procuro o chão(fixar meus pés na rocha) na Bíblia Sagrada. Que sege complexo messiânico o que for.

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    1. Sim, acho a fé uma boa, desde que não haja o fanatismo e a intolerância com as outras religiões. Bem, resumindo, o complexo messiânico é tipo se achar o salvador da pátria, não tem muito a haver com a fé. Obrigado pela visita ao blog e pela participação.

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    2. Jesus nos convida a segui lo de perto todos os dias. E para segui lo, cada um carregue a mesma cruz e ande com ele. Nunca me considerei um jesus, mas as pessoas na sociedade atribuem esse papel a mim. Demorei muito a entender o porque dessa atribuição que é na verdade jogar toda a frustração na pessoa indicada(eu), já que a mesma não reage da forma que lhes é corriqueira. Eu vivo esse complexo messiânico, as pessoas atribuem graças a mim, como também jogam em mim todas as suas frustrações nas minhas costas. Esse negocio de jogar as frustrações no outro, traduzindo, as pessoas mentem a seu respeito. Julio Cesar dos Santos de Oliveira, eu li sobre a sua historia de vida, e me recordo do caso da historia da imuno deficiência humana, pelo qual tivesse que fazer um teste para provar que não tinha nada. Sucesso no re lançamento do livro cara. Abraço.

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  2. Olá! Este fim de semana assisti o filme "Into the Wild" e em vários momentos me lembrei de você e suas andanças. Pode não ter tanta semelhança, mas fiquei pensando em você. Bjs

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    1. Acho que já vi esse filme, fala sobre um cara que sai andando por ai e no final morre por comer uma planta venenosa. É esse? Depois vou pesquisar e assistir se for outro. Valeu pela participação.

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  3. A Esquizofrenia não pode ser diagnosticada – até o momento – por um simples teste de imagem ou exames. Tanto é que psiquiatras não os utilizam. Também fiz uma pesquisa a respeito e achei interessante compartilhar. Tomei como base um artigo publicado num site de renome internacional, especialista em artigos científicos e acadêmicos. O objetivo do artigo não foi, ao contrário de algumas veiculações na internet, sobre quem é ou que não é Esquizofrênico, de acordo de quem “passa” no teste. O objetivo do estudo foi investigar a percepção monocular da profundidade ou relevo da máscara côncava. Vamos ao resultado da pesquisa: de forma resumida, não houve diferença estatisticamente significativa entre os indivíduos saudáveis e os indivíduos Esquizofrênicos sob o uso de antipsicóticos. Segundo a pesquisa, a maioria dos portadores de Esquizofrenia sob uso de antipsicóticos há menos de 4 semanas conseguiu visualizar uma outra máscara na parte de trás da mesma. Por sua vez, todos os Esquizofrênicos sob o uso de antipsicóticos há mais de 4 semanas, assim como os indivíduos não Esquizofrênicos, conseguiram visualizar as duas máscaras. Ou seja, o Teste da Máscara é um mito ao afirmar que quem visualiza as duas máscaras não é esquizofrênico e quem não visualiza o é. Se não fosse mito, os esquizofrênicos sob uso de antipsicóticos há mais de 4 semanas não conseguiriam ver as duas faces. Da mesma forma, a maioria dos que usam a medicação há menos de 4 semanas, também não conseguiria visualizar. O que se pode inferir é que o uso de antipsicóticos minimiza parcial ou totalmente a percepção visual, capacitando o indivíduo a realizar a inversão da profundidade (perceber as duas máscaras). Ressaltando que a pesquisa na qual tomei como base, os portadores de Esquizofrenia faziam uso de antipsicóticos. Como dentre os que faziam uso da medicação há menos de 4 semanas, alguns não conseguiriam visualizar, o que podemos é cogitar: portadores de Esquizofrenia que não usam medicação podem ter essa percepção visual prejudicada? – e, neste aspecto, não pesquisei. No entanto, vale ressaltar a importância dessa pesquisa, pois como o Júlio citou, tanto ele quanto a maioria de seus contatos conseguiram visualizar. Partindo dessa premissa e da afirmação do vídeo do You Tube, poderíamos, erroneamente, concluir que tanto o Júlio quanto a maioria dos seus contatos não são esquizofrênicos. E essa conclusão precipitada, baseada numa informação sem fundamentação teórica, poderia levar muitos portadores da doença a questionar seu diagnóstico. Quanto ao fato de todos os indivíduos não esquizofrênicos (foram 29) terem visualizado as duas máscaras, a pesquisa não faz nenhuma consideração. Muito menos, afirmação. Até porque seria uma afirmação pouco pertinente, uma vez que, se fosse considerado uma amostra maior, poderia ter entre esses indivíduos saudáveis, alguns com déficit de atenção ou concentração o que levariam a não identificar a ilusão óptica (as duas máscaras). Daí, perguntaríamos: esses indivíduos não esquizofrênicos que não visualizaram por outros motivos, são esquizofrênicos? Afirmar isso seria, no mínimo, imprudente. Semelhantemente, existem pesquisas de imagem que trazem “indícios” que poderiam ajudar psiquiatras no diagnóstico da Esquizofrenia. Todavia, trata-se de pesquisas pouco consistentes e não conclusivas, por se tratar de um campo muito complexo – o cérebro e a mente humana – Assim, a única forma de diagnosticar a doença é o exame clínico. Exame este, baseado em algumas ferramentas médicas, na observação do paciente, na análise e duração dos sintomas e na análise do comportamento do paciente – observado pelo médico – ou relato pela família. Agradeço ao Júlio pela iniciativa de postar algo simples, mas que pode gerar polêmica. Abraço Júlio.


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  4. que eu saiba isso tem mais a ver com o desenvolvimento do lado criativo do cérebro do que qualquer outra coisa... e aí, qualquer transtorno/lesão poderia afetar.

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  5. Você poderia discorrer, também, acerca do "teste da niacina".

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    1. Até hoje não ouvi falar sobre esse tipo de teste não, mas é aquela velha teoria de que a esquizofrenia seja somente um desequilíbrio químico do organismo da pessoa, mais precisamente no cérebro, e é ai que entra a indústria farmacêutica para lucrar com essas situações. A esquizofrenia é muito complexa para ser detectada por esses testes, seja esse do post ou então o que você citou.
      Mas é algo para se pensar, claro que não descarto que possa haver sim um componente químico na esquizofrenia, mas isso não quer dizer que seja somente isso.
      Bem, não falei muito sobre esse teste da niacina, por que não sou muito fã dessa teoria de que a esquizofrenia seja apenas um desequilíbrio químico do cérebro.
      Obrigado pela visita ao blog.

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