sábado, 25 de outubro de 2014

Esquizofrenia: deficiência ou não?

 
      Não tenho a pretensão de, neste post, definir se a esquizofrenia é uma deficiência ou não. Não me julgo capaz para tal ato, mas creio que tenho o direito de dizer o que penso e sinto sobre esse assunto tão controverso, ainda mais quando a questão do passe livre é discutida.
    Em Ipatinga-MG, por volta do ano de 2007, consegui o passe livre sem maiores problemas e quase nenhuma burocracia. Compareci no dia marcado no posto de saúde, o médico apenas conferiu o laudo e os documentos e depois me deu a concessão parar ir à empresa de ônibus que administra o trasporte coletivo da cidade. 
    Já em São Paulo, tentei em diversos lugares, mas sem sucesso. Na capital paulista o passe livre, que é chamado de bilhete único especial, é válido em todo o estado, ou seja, ele é municipal e intermunicipal.
    Logo nos primeiros dias de São Paulo fui à um Caps, próximo do abrigo Arsenal da Esperança, a fim de renovar o estoque de diazepan. Em relação ao antipsicótico até hoje não sei o que fazer, não decidi se tomo ou não tomo, às vezes sinto que é necessário, e outras vezes sinto que é urgentíssimo usar. Quando estou sozinho, não vejo tanta necessidade de tomar esses medicamentos.
afinal, quem não enlouquece e não se estressa com um trânsito desses?

    Estava um pouco assustado com todo o stress e correria de São Paulo e senti que era preciso voltar a tomar a cloprormazina, para, pelo menos, dar uma sossegada até me acostumar com Sampa.
    Fui atendido por duas mulheres que me fizeram um enorme interrogatório, um pouco cansativo e também muito chato, por ter que reviver com alguns detalhes os surtos psicóticos que tive.
    Depois da longa entrevista, que é chamada de acolhimento, uma das mulheres me perguntou onde eu morava. Quando respondi que estava ficando na Mooca, simplesmente ela me disse que não poderia fazer nada por mim, pois não estava no Caps da área de abrangência. Mas por que ela não me perguntou o meu endereço antes de começar a conversa?
    Ela então me deu o endereço de um outro Caps, localizado no bairro Bela Vista, muito mais distante deste primeiro que fui, que era na praça da Sé, em que tinha que pegar apenas o metrô da linha vermelha. Já no bairro Bela Vista eu teria que pegar dois ônibus, gastando a quantia de doze reais. Oras, que área de abrangência é esta? Depois eu que sou o doido...
    Então, no dia seguinte, logo cedo, depois de muito perguntar, consegui achar o tal bairro Bela Vista. São Paulo é uma cidade com enorme extensão territorial( não quis dizer cidade grande, hoje "tô" com os níveis de serotonina altos, pois acabei de tomar um toddynho e comer uma broa). Além disso, os paulistas não são tão solícitos na hora de dar informações, como os mineiros, que só faltam desenhar um mapa para ter a certeza que a pessoa chegará ao destino desejado. Já estava ficando irritado com tantos "não sei", até encontrar um taxista gente boa, que, após procurar no mapa, me indicou quais linhas de ônibus deveria pegar para se chegar ao Caps do Bela Vista.
    Bem, chegando lá, fui atendido por uma mulher que logo começou a fazer o interrogatório novamente. Estava cansado de tanta dificuldade para se pegar um simples diazepan e fui um pouco rude com ela:
    - Não tem jeito de me dar esse remédio sem essa burocracia toda?
     Ela ficou séria, a sensação que nos passam é de que um esquizofrênico não pode ficar irritado por que corre-se o risco de ter o local totalmente destruído. Ela então disse que eu poderia frequentar o Caps e ficou balançando a carteirinha do passe livre, como que dizendo:
    - Olha o que vou te dar se você vier aqui!...
    Recusei o passe livre, pois, naquele momento só queria ter o diazepan e voltar a tomar a cloprormazina , pois sentia que poderia surtar dentro de algum tempo, por não ter me adaptado à São Paulo. Disse a ela que iria frequentar o futebol, apenas para encerrar a conversa e ir embora.
    Três meses depois, já mais calmo, voltei ao mesmo Caps. Fui atendido por uma psicóloga, que me fez o tradicional interrogatório de acolhimento. Engraçado quando nos tratam quando chegamos à um Caps tranquilo, calmo, mais ou menos arrumado e com o cabelo mais ou menos penteado. Os funcionários olham entre si com que a perguntar:
    - O que esse cara está fazendo aqui, ele é normal, não precisa de remédios!
    Parece que esses funcionários e alguns profissionais baseiam seus diagnósticos apenas na aparência física da pessoa, eles não acreditam que uma pessoa possa estar extremamente perturbada e ainda assim estar se vestindo adequadamente e estar conseguindo esconder suas emoções.
    Desta vez, respondi todas as perguntas com tranquilidade, pois já estava mais adaptado à cidade, quer dizer, já tinha me acostumado com a louca correria dos paulistanos. Mas foram tantas perguntas que até pensei se ela não estava pensando que eu estava fingindo ter esquizofrenia apenas para obter o passe livre.
    No final da entrevista, ela me disse que não era preciso ser atendido no Caps, pois eu estava estabilizado. Ou seja, eu não teria direito ao benefício, pois o mesmo só pode ser preenchido por médico especialista, o psiquiatra. Então, se eu der um "piti" eu consigo o passe? Pois na primeira vez iria conseguir o benefício por ter sido apenas ríspido com a atendente. Às vezes somos tão mal atendidos no SUS que só alterando o tom de voz para sermos atendidos. Se chegarmos com educação e humildade, o máximo que ouviremos é um simples não. Estou cansado de ver mães dando piti para que seus filhos sejam atendidos...
    Desisti então de conseguir o passe livre. A minha intenção em São Paulo era dar um tempo para pagar os meus empréstimos e voltar a alugar um cantinho em Belo Horizonte. E, para dar esse tempo, eu teria que ocupar o meu tempo, para não ficar gastando todo o meu dinheiro(todo? até parece...) com bobagens, que no meu caso, não são tão bobagens assim. Sinto que o chocolate, as massas, o açúcar me dão a famosa sensação de bem estar. A sensação quando não como estes alimentos é a de que estou murchando. Irei fazer o exame de serotonina para ver no que vai dar. Se a serotonina estiver baixa, irei tentar alguma alternativa natural e, se não der resultado, ai sim partirei para um medicamento.
    Então, sem o passe livre, fiquei em São Paulo, retirado em parques e bibliotecas. Isso foi bom, pois, no silêncio que tive, pude dar uma boa revisada no livro Mente Dividida, já mais experiente na arte de escrever, com as postagens do blog. Creio que o resultado ficou bom, para adquirir é só seguir as instruções ao lado.
    Voltando ao assunto, eu não aguentei muito tempo ficar sem fazer nada, estava me sentindo um estrangeiro na capital paulista. Tentei novamente o passe livre, desta vez no Caps Itapeva, mas novamente me alegaram que eu estava estabilizado e só seria necessário ser atendido em uma unidade de saúde. Para piorar, o cara me fez duas entrevistas, em dias diferentes. No segundo dia, estava acompanhado por uma psiquiatra não muito simpática, que me olhava com ar de superioridade e sempre ficava me questionando:
    - Qual remédio você toma?
    - Tomo 0.5mg de risperidona, é o máximo que aguento tomar - respondi.
    - Ah! Mas essa dose não faz efeito!
   - Então por que essa dose é vendida nas farmácias? - perguntei.
    Percebi que ela ficou meio sem graça e pediu para sair da sala. Ela disse que a risperidona dá pouco sono. Essa afirmação me deu a certeza de que estava ela pensando que eu estava mentindo. Creio que o mal de alguns profissionais da área de saúde seja pensar que todos os pacientes são iguais, e que a mesma dose deva ser aplicada a todos, já que supostamente o  efeito será o mesmo. Acho que deve ser levada outras questões, como as condições de saúde do paciente, por exemplo. Algumas pessoas, por natureza são mais agitadas do que a outra. O inverso também acontece. Já me disseram nos comentários que talvez eu seja um paciente com metabolismo lento(ou algo parecido) e que doses baixas dos medicamentos para mim já bastam.
    Depois do Caps Itapeva, tentei mais um outro, não me lembro o nome do bairro. Fui bem atendido desta vez, mas a resposta foi quase a mesma: A atendente disse que eu não precisava do Caps por "saber" fazer as coisas...
   Agora, vou tentar o passe livre aqui em Belo Horizonte, apesar de descobrir que vários portadores amigos que tenho não conseguiram. Mas conheço um cara, que está estabilizado, que conseguiu.
   A minha pergunta é essa: será que o esquizofrênico estabilizado não tem direito ao passe livre?
   Será que não temos o direito de frequentar um Caps, ir a um Cersam, ou um centro de convivência? A passagem de ônibus não é barata e grande parte dos portadores não é aposentada, e, quando são, geralmente ganham um salário mínimo, como é o meu caso.
    Será que não sofremos por controlarmos as nossas emoções e não quebrarmos as "coisas"? Será que estamos realmente bem, para não podermos procurar algo para ocupar a nossa mente? Será que só quem tem déficit mental é que tem direito ao passe livre? Às vezes me pergunto se não seria bom voltar a ficar fora da realidade, como no primeiro surto, pois, depois que o pior já havia passado, eu conseguia dormir nas ruas, sem ter medo e não me preocupava com nada.
    Olhem o decreto federal que dá direito ao passe livre as pessoas com deficiência: (esse é interestadual, mas os outros são bem parecidos na questão da deficiência mental:

-IV- deficiência mental- funcionamento intelectual significativamente inferior a média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação, cuidado pessoal, habilidades sociais, utilização dos recursos da comunidade, saúde e segurança, habilidades acadêmicas, lazer e trabalho. 

    Oras, a lei para mim é bem clara, apesar de crer que eu não tenho o funcionamento intelectual significativamente inferior a média. Mas, e o resto? É óbvio que, o esquizofrênico, mesmo que estabilizado, tem sérias limitações nas áreas citadas acima, como:
- comunicação: no meu caso, em particular, não é raro de, em alguns dias, no final da noite, conseguir contar as palavras que saíram dos meus lábios.
-utilização dos recursos da comunidade: o que eu mais uso é um parque ecológico, onde eu posso ficar sozinho a maior parte do dia.
- lazer: ai nem se fala, acho que dificilmente alguém irá me ver em algum show, cinema, teatro, etc. Para se ter uma ideia, eu nem fui ao show do Yanni quando ele esteve em São Paulo. Cheguei a ir ai ginásio do Ibirapuera, na parte da tarde, para ver se eles iriam ensaiar ou passar o som. Estava com dinheiro para o ingresso, mas acabei não me sentindo bem e fui embora. Hoje em dia, com a evolução dos sistemas de sonorização, já não é preciso ficar passando o som com tanta frequencia e o Yanni não apareceu de tarde.
- trabalho: muitos podem pensar que não gosto de trabalhar. Mas gostaria de dizer que trabalhei como operador de som dos 17 aos 34 anos, que foi o meu limite, pois comecei a surtar por volta dos 32 anos. O trabalho era o meu lazer, pois gostava e muito do que fazia. Hoje já não suporto multidões e som alto.
    Se analisarmos a lei, eu e a maioria dos portadores de esquizofrenia teria direito ao passe livre. Não quero o benefício para ir a um show de pagode ou funk, sou esquizofrênico mas não sou, sei lá.... Gostaria de ter alternativas para ocupar a minha mente. Mas por que não consigo então? É preciso ter um grande déficit mental, ter aparência estranha ou algo parecido?
   Já em BH, quando conversei com uma assistente social, ela me disse que iria marcar uma entrevista minha com um funcionário da BHtrans, que gerencia o transporte coletivo na capital mineira. Ela me disse: " É lá que você vai ter que provar que..." Ela não terminou a frase. O que ela quis dizer? Eu teria que provar que sou um louco? Como se prova isso? Eu teria que quebrar alguma coisa, falar coisas desconexas?
    Na minha opinião, essa lei deveria ser mais clara, e dar direito aos estabilizados, porém não curados, de ter uma possibilidade de melhorar a qualidade de suas vidas. Somos rotulados somente na hora da discriminação, na hora de requerermos nossos direitos dizem que não temos nada. A discriminação é tanta que nem existe lei na questão do emprego para portadores de esquizofrenia, o que existe em outras deficiências, sendo que o preconceito é muito maior para quem tem o transtorno da mente dividida.

-obs: gostaria de dizer que, por questões de economia de dinheiro, não estou acessando a internet com tanta frequência, e não está dando para conversar com todos que me procuram pelo email.

24 comentários:

  1. Na minha opinião o SUS é sim um sistema eficiente apesar de suas deficiências.Não ficou claro o motivo pelo qual não foi concedido o "passe livre".Embora o autor da postagem relate que foi atendido no caps. O autor critica a clareza da lei, será uma critica coerente? Há um problema legal? jurídico? O própio autor afirmou que conhece um caso de paciente estabilizado que usufrui do passe livre.De fato, há um problema na aplicação da lei?
    O autor fez criticas aos caps e ao SUS, generalizando situações, afirmando que os serviços são burocráticos e julgando sem motivo a conduta profissional de profissionais que o atenderam.
    Na postagem têm reclamações mal fundamentadas, do SUS e de CAPS.
    O autor relatou de forma vaga e imprecisa , supostas situações de mal atendimento.
    Criticou os serviços com base no que esperava deles e não no que eles deveriam de fato conceder.
    Esta é minha opinião, uma crítica construtiva.

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    1. O SUS é um sistema eficiente? Parece que você não depende dele... Não precisa falar assim com tanta formalidade, o blog é bem informal mesmo, parece que você é advogado. Olha, eu dependo do SUS desde que começaram os surtos. Em alguns lugares fui muito bem atendido, em outros pessimamente. Me desculpe, mas dizer que o SUS é eficiente está parecendo uma piada. Em uma cidade, a consulta demorava cerca de cinco minutos, um único psiquiatra para uma cidade de 60 mil habitantes. Ele atendia apenas uma hora por dia e sempre chegava atrasado...

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    2. Você tem toda razão. Moro na capital do Brasil, trabalho e busco atendimento no sistema público(SUS) e me cansei de chegar nas consultas e o(a) médico(a) estar "de atestado" (é mais fácil conseguir entre eles). Parece que não gostam de trabalhar... e chegam a ganhar R$ 17.000,00 às custas de nossos impostos.

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    3. Verdade, comigo acontece isso também. A pessoa que classificou como "eficiente" os serviços prestados pelo SUS não está dentro da realidade ou então nunca precisou de ser atendido por este serviço. Tive um problema no dedão do pé e o médico apenas pediu para que eu colocasse o pé debaixo do chuveiro em água morna. Depois de seis meses ainda estou com algumas dores, mas estão sumindo graças ao cloreto de sódio, que pesquisei na internet. E ainda temos que ouvir propaganda do ministério da saúde para não nos automedcarmos ou então para não procurarmos o farmacêutico..

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    4. Acredito que você não utilize o SUS. Meu irmão tem esquizofrenia e faz tratamento no SUS. O atendimento é uma VERGONHA. Demoram mais de 03 meses para marcar o retorno. Os médicos não tratam os seus pacientes, como deveriam. Generalizam tudo, um medicamento que serve para um, não serve para o outro. Assim como o outro paciente, ele também não conseguiu o Passe Livre. Ele não tem condições nenhuma de trabalhar, pois não reconhece os lugares. Chora e rir ao mesmo. E eu trabalho para arcar com suas despesas. O Sistema Público é uma vergonha!

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    5. Verdade, pode ser que em um ou outro município a situação esteja melhor, mas, de uma maneira geral o sus tem um atendimento precário e vergonhoso. Estou há mais de um ano com um problema no dedo do pé esquerdo, e só na próximo dia 5/11 é que irei pegar o resultado do raio x. E ainda vai demorar um bom tempo ainda até marcarem com o ortopedista ou fisioterapeuta, dependendo do resultado. E quando falta os medicamentos? Temos que comprar, sendo que já pagamos por isso nos impostos. É triste essa situação. Talvez seja uma piada mesmo de quem postou, mas procuro postar todos os comentários, como disse, talvez na cidade dessa pessoa o sus tenha um bom atendimento e ela provavelmente não vê os noticiários.

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  2. OI JÚLIO TUDO BEM? GOSTO MUITO DE LER SEUS POST E VER COMO VC SE EXPRESSA BEM! ADMIRO SUA FORÇA E CORAGEM DE LUTAR PELOS SEUS DIREITOS E MESMO TENDO ALGUMAS LIMITAÇÕES VC CONSEGUE TER DIRECIONAMENTO DAS COISAS QUE FAZ! ME SURPREENDE! TENHO NA FAMÍLIA UMA PESSOA COM ESQUIZOFRENIA, ÉLA NÃO ACEITA SE TRATAR, TOMA REMÉDIOS UMA VEZ OU OUTRA, TEM MUITOS SURTOS, JÀ FICOU INTERNADA UMAS TRÊS VEZES, JUDIA BASTANTE DA FAMÍLIA SABE...BATE NO MARIDO QUANDO ESTÁ EM SURTO É UMA COISA MUITO TRISTE.....PERCEBO QUE VC ESTÁ BEM, SE COLOCA BEM....ADMIRO! CONTINUE ASSIM SE CUIDE! QUANTO AO SEU POST TUDO QUE É GRATUÍTO É DIFÍCIL INFELIZMENTE!! VC SABE ME DIZER SE ESSES REMÉDIOS TAMBÉM SE ESTENDEM PARA TRANSTORNO BIPOLAR? SERÁ QUE É POSSÍVEL CONSEGUIR REMÉDIOS PARA BIPOLARIDADE GRATUITAMENTE, NÃO O LÍTIUM QUE O POSTO DÁ, MAS OUTROS QUE SÃO SIMILARES?SE EU FOR NO CAPS DIZENDO QUE SOU BIPOLAR CONSIGO ASSISTÊNCIA ? ABRAÇOS FLOR!

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    1. Obrigado pelas palavras.Tem um medicamento que é usado tanto para a esquizofrenia quanto para a bipolaridade, se chama quetiapina, muitos falam muito bem dele. Devem existir outros também. Claro que se consegue remédios pelo sus para a bipolaridade, é um direito de todos ser atendidos. Se você for no CAPS será atendida sim, primeiro é feito um acolhimento, que é uma entrevista para se saber mais sobre o seu caso. Abraços

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    2. Sem querer interferir demais, o paciente com esquizofrenia pode passar pela internação obrigatória. Não gosto da ideia, mas pode. Existem outros remédios para transtorno bipolar sim, mas dá uma passadinha no médico e não deixe de fazer acompanhamento com um psicologo. Abs

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  3. ola julio! Passando aqui para agradecer pelo blog. Vc é como se fosse uma especie de heroi pra nós... Quase sempre estou entrando no blog para ver se tem novas postagens e tal,para acompanhar essa jornada que por vezes é ardua. Enfim... Saiba que vc nos tranquiliza um pouco quando faz novas postagens. Parabens pela força amigo! Abraço! Desculpe pelo disrcusso desorganizado... Ultimamente tenho estado muito avoado

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    1. Sem problemas, seu discurso não está desorganizado não, gosto até que sejam assim, simples. O blog não tem a finalidade de ser o dono da verdade, apenas digo o que sinto e o que penso, de uma maneira mais clara possível. Realmente ultimamente estou tendo que economizar dinheiro para voltar a alugar um quarto e assim ficar no meu cantinho, que é o que mais gosto de fazer. Obrigado pela força.

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    2. obrigado por responder julio! O acompanho desde 2012(embora seja a primeira vez que escrevo) seu blog me ajuda a nao me sentir sozinho como se eu fosse o unico que padece de esquizofrenia no mundo. Enfim... Alem de encontrarmos aqui muitas informaçoes e vivencias de uma pessoa com coragem, que nos ajuda a compreender as coisas,tbm sinto quase como se formacemos um tipo de irmandade

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    3. Fico feliz em saber que estou ajudando de alguma maneira. Realmente os portadores têm que se unirem, como se fosse uma irmandade mesmo, pois o preconceito ainda é muito grande. Tenho um grupo no facebook, depois, se quiser te add para lhe fazer o convite para participar do grupo.

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  4. Oi Julio eu acho que temos direito sim ao passe livre mesmo estabilizados, como vc disse a maioria de nós quando aposentados ou ganhando o benefício (auxílio doença) ganha 1 salário mínimo e a passagem como vc disse é cara..(3 reais) aqui em SP , tanto é que em Junho/Julho de 2013 houveram protestos por causa dos 0,20 centavos de aumento em SP e no resto do país..sim a passagem é cara...e não temos como ficar pagando 3 reais sempre que precisamos ir a algum lugar...eu tenho o passe livre de São Paulo (bilhete único) e sempre que vou no médico ( me trato no instituto de psiquiatria do hospital das clínicas) eles me dizem que tem que se fazer um laudo atestando que vc é o mais dependente possível das pessoas e que falta autonomia..resumindo..tem q escrever q vc é um paciente médio a grave...estou um pouco estabilizado apesar de não ter libido há mto tempo..quer dizer..tenho q me concentrar bastante p me excitar mas resumindo..é isso o q eu falei..se vc vier p São Paulo novamente..conte comigo q posso ajuda-lo a tirar o bilhete especial por aqui..um forte abraço!

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    1. Obrigado por estar sempre participando. Verdade, em São Paulo é um direito mesmo, acho que isso varia de cidade para cidade, me parece ser uma lei federal, mas os municípios a interpretam da maneira que lhe convier. Acho que não irei para São Paulo nunca mais, não que a cidade e o povo sejam ruins, não é isso, é que prefiro lugares menos agitados mesmo. Valeu!

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  5. Oi Júlio!

    Parabéns pelo seu blog. Sua coragem de se expor e, principalmente, seu projeto de criar um espaço de interação com pessoas que sofrem do mesmo transtorno é fantástico.
    Também sou Esquizofrênico. Atualmente me trato em Clínica Particular, mas já passei pelo SUS. Toda regra tem exceção, todavia, o atendimento pelo SUS é sim está aquém do que nos é de direito. Evidente que esse atendimento é consequência de "n" fatores. Para se ter uma ideia, na localidade onde eu era atendido minha consulta com o psiquiatra não ultrapassava 5 min. Em contrapartida, há CAPS's com atendimento adequado. Contudo, pode-se generalizar e considerar como péssimo o atendimento SUS. Quanto ao direito ao passe livre, não consultei especialistas. Então vai meu ponto de vista. Acho que depende do prognóstico da doença, atestado por laudo médico. Tomando como base a lei que você atentemos para o "E". "Funcionamento intelectual significadamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos E limitações...". Ou seja, uma condição necessária, além das limitações relatadas é o funcionamento intelectual inferior à média. Não tenho conhecimento jurídico para falar com propriedade. Apenas estou analisando do ponto de vista literal. Se, ao invés do "E" tivéssemos um "OU" o sentido seria diferente. Porém, na minha cidade a regra é clara e objetiva: usuários do CAPS que residem distante do mesmo fazem jus a tal direito. Ao meu ver, entretanto, o esquizofrênico tem (ou deveria ter) esse e mais outros direitos. Conheço pessoas do CAPS, estabilizados que tem o passe livre intermunicipal e o interestadual. Por isso, acredito que exisram meios legais para conseguir.Em relação ao preconceito você faz uma bela consideração: quando em surto, sofremos o estigma de louco; quando em remissão ou compensação o estigma de "vagabundo" - vão trabalhar! Você não fez essa declaracão. Fui eu quem pegou a ponga e coloquei o modo como se rotitulam. Quanto a isso são dois preconceitos: a do surto, que não correlaciona à loucura, e da remissão ou compensação, que não configura cura. Vale até ressaltar que os compensados sofrem de sintomas NEGATIVOS e são vulneráveis à recaídas. Por isso que especialistas fazem restrições quanto ao tipo de emprego que estes podem assumir (quando se sentem prontos para tal), assim quanto à jornada de trabalho. Não estou generalizando, dizendo que todo esquizofrênico é incapaz para o trabalho. Conheço quem esquizofrênico que trabalha, estuda e leva uma vida normal. Estes, porém, costumam ter um contexto diferente, um prognóstico favorável, um emprego privilegiado etc. Ouvi um relato de uma pesquisa afirmando que quando a o tratamento adequado se dá logo após o 1° surto, a probabilidade do paciente ter uma vida normal (ainda com algumas limitações) é de 80%. Após o 2° surto, 50%. A partir do 3° surto, 30%. Dito isso, os portadores de esquizofrenia pobres, vivendo em condições ambientais desfavoráveis, com atendimento médico e psicoterapêutico inadequado, sem um grau de instrução condizente com o mercado de trabalho tem o mesmo prognóstico dos demais? Quem vai dá um emprego a um esquizofrênico? Quem vai entender os diversos dias que ele não vai ter coragem de trabalhar? Quem vai entender os resíduos de alucinações e delírios provocados pelo ambiente estressor? Só quem passa na pele sabe o que digo. Costumo dizer que temos mais propriedade para dizer de nossas dores do que muitos especialistas.

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    1. Parabéns pelo comentário, tudo muito bem explicado e sinceramente a única coisa que tenho a fazer e te parabenizar pela sua sensatez. Concordo com tudo o que foi dito e não tenho muito o que acrescentar. Valeu pela participação.

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  6. Júlio,
    Parabéns pela sua iniciativa!
    Primeiro, gostaria de te pedir uma coisa: nem pense em parar de usar o antipsicótico, como cogitastes. Segundo especialistas o uso descontínuo das medicações é um dos principais fatores de recaídas. Imagino que não farás isso, apenas pensou.
    Bem... Quanto ao seu questionamento inicial, Esquizofrenia não é uma deficiência mental (atualmente chamado deficienciência intelectual). Pelo menos em termos conceituais.
    Seu questionamento, porém, é discutível, levando em conta as limitações que você enumerou e as considerações que o comentarista fez sobre o prognóstico da doença. Fazendo uma pesquisa na net, num site jurídico, vi o exemplo de uma paciente que teve passe livre cortado no período de revaliação, sob a alegação de ser portadora de Esquizofrenia Paranóide. No entanto, o juiz deu ganho de causa à reclamante por entender a lei de forma mais ampla e por levar em consideração o laudo médico. Neste, estava claro as limitações, a incapacidade e a dependência da interessada. Ou seja, quando a questão pode ser discutível vale a pena consultar um bom advogado ou promotor público.
    No que se refere ao esquizofrênico estabilizado, penso que seja necessário entender o que vem a ser um esquizofrênico estabilizado. Será aquele que está há algum tempo sem alucinações e delírios - que são, para os leigos, os sintomas característicos da doença? Importante salientar que esses sintomas não são, obrigatoriamente, característicos e presentes na esquizofrenia. Claro que são importantes, mas como disse um comentarista,outros sintomas caracterizam o transtorno e, ao contrário do que muitos pensam, outros sintomas - como os negativos, são os mais incapacitantes. Sem falar no aspecto cognitivo, que deixa o paciente com déficit na concentração e na memória.
    Tornando como parâmetro os sintomas mais incapacitantes para o convívio social, familiar e com impacto negativo no mercado de trabalho, acredito em estabilização quando há melhora em todos esses pontos. Voltando à questão inicial, um "estabilizado" em todos esses pontos, vejo dificuldades em conseguir o passe livre.
    Para concluir, estabilizados precisam de incentivos, de oportunidades. Ou seja, é preciso compreender a doença para entender a necessidade de conquistas de direitos que valorizam a dignidade humana.
    Júlio, um abraço.

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    1. Concordo com o seu comentário, principalmente quando se refere aos sintomas negativos, que são tão ruins como os positivos, em que caímos mas temos ânimo para levantar e continuar a luta. Acho que os psiquiatras confundem a migração para os sintomas negativos com estabilização, pois é o que parece que ocorre no meu caso. Obrigado pela participação.

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  7. Tenho Esquizofrenia paranoide, que foi resultado de 32 anos de isolamento por causa de um transtorno Chamado fobia social , ao contrario de vc que saiu muito viajou e tal , passei (e passo) minha vida trancado dentro de casa . nunca trabalhei , nunca namorei , não terminei os estudos vivo isolado e sou sustentado por irmãos . pra piorar cuido de um irmão que tem esquizofrenia indiferenciada, vivemos nos dois numa casa , minha irmã paga um convenio simples que é o que nos ajuda , nossa experiência no caps não foi muito boa.quanto ao bilhete especial ele só serve pra cidade de são Paulo esse consegui tirar , o que serve pra outras cidades de sp chamasse BOM , mais esse já é um pouco mais complicado.por ter fobia social num estado muito grave , tenho medo de gente , raramente saio no portão , mais com esse bilhete estou vez ou outra pegando trem e ônibus pra lugares próximos (algo inimaginável pra mim andar de trem ou de ônibus sozinho) devo isso aos remédios e a terapia que é muito importante , mais falta muito ainda pra ter uma vida pelo menos razoável , o isolamento me trouxe graves doenças físicas também , luto pra lidar com tudo isso , ser um cara isolado , fóbico social , esquizofrênico , doente , bv e virgem aos 32 anos gera muito preconceito.mais to vivo e lutando por mim e por meu irmão ,eu nunca viajei , nunca fui a praia , nunca fui ao cinema , não fiz muita coisa que gente "normal" faz.nunca tentei suicídio mais penso nisso e já me cortei algumas vezes , faz tempo não faço mais isso estou aprendendo a conviver com minhas limitações enfrentando meus medos, um dia se me permitir queria contar um pouco mais da minha história.só foi um desabafo , obrigado.

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    1. Fiquei comovido com sua história. Não somente pelas consequências resultantes de seu histórico de fobia social e esquizofrenia, pois muitos passam e/ou sofrem tanto quanto você. Fiquei mais comovido pela sutileza de suas palavras, sua sinceridade, sua FORÇA e CORAGEM. Sim... O fato de você ainda ter de ajudar seu irmão é de uma grandiosidade e generosidade típico de alguém com uma áurea muito linda. Da mesma forma, quando você descreve sobre coisas das quais AINDA não desfrutou - beijo, sexo, viagem etc - o faz de uma forma genuinamente doce, deixando transparecer uma maturidade que poucos tem. E mais! Nas "entrelinhas" de sua narrativa é possível imaginar uma pessoa que sabe ser MAIOR do que os percalços da vida e, ainda, demonstra elevados graus de AUTOCONHECIMENTO, AUTOENTENDEMENTO e FÉ que o fazem transcender frustrações, desejos, vontades... Sabemos, ainda que intuitivamente, que beijar, namorar, fazer sexo, viajar, ter amigos etc. fazem parte da vida e despertam sensações de prazer. No entanto, tudo tem seu tempo, sua razão de ser e de acontecer. Se cuida! Dê prioridade à sua saúde. Se necessário, procure segundas e terceiras opiniões médicas. Além do tratamento medicamentoso, busque ajuda psicológica e psico terapêutica. Você pode ter direito a auxílio da previdência social. Se for o caso, vale consultar um advogado. Desejo sorte, saúde, paz, felicidade, amor e que seus sonhos se realizem! Quando estiveres bem (vai estar), se dê o direito de, se dê a oportunidade de, permita que... Com cuidado, devagar, saboreando cada sentimento, cada sensação, cada emoção! Você é muito jovem e tem toda uma vida pela frente. "Se joga", mas mantendo sua ESSÊNCIA, se permita ter e conhecer, mas mantendo o seu SER. Sua história é parecida com a minha. Só que além de sobreviver a tudo, tive que me libertar da dor de um estupro na infância, me aceitar homossexual e superar mais esse preconceito. Hoje tenho 39 anos e estou vivendo um dia de cada vez. Forte abraço.

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    2. Obrigado pelas palavras. Hoje estou relativamente bem, enfim consegui encontrar um quartinho para alugar em Belo Horizonte. O stress e a correria de São Paulo não me fizeram bem, mas isso já é passado. Hoje sou aposentado e, apesar de receber apenas um salário, dá para sobreviver. Quando você diz "se aceitar" homossexual, você antes de se descobrir tinha preconceito? É isso ai, a maturidade tem as suas vantagens, e uma delas é aprender a lidar com algumas situações que antes nos afligia.

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    3. Olá Júlio!
      Fico feliz em saber que você encontrou seu espaço. Que Deus te abençoe.
      Quanto à sua indagação "antes de se descobrir tinha preconceito?", posso afirmar que não, mesmo diante da dificuldade de me aceitar homossexual. É que uma coisa (aceitação) não tem, necessariamente, ligação com a outra (preconceito).Como hoje tenho 39 anos, essa percepção se deu por volta dos 12-14 anos, ou seja, entre os anos de 1986-1988. Há tempo atrás, a homossexualidade era considerada, pela ciência, um transtorno mental - daí, o termo antigo homossexualismo. No Brasil, em 1984, a Associação Brasileira de Psiquiatria e, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia, deixaram de considerá-la como transtorno. Em 1990, a Organização Mundial de Saúde, retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais. Se por um lado acabou o estigma de doença, por outro, propagou-se a possibilidade de opção sexual, a ideia de perversão e a associação com a promiscuidade e com o aumento da Aids. Em vários países, o ato homossexual era considerado crime, com julgamento e condenação - como ainda acontece em vários países. No entanto, a minha dificuldade não foi por conta desse contexto, muito menos por preconceito, mas devido ao fato de ter sido estuprado por 4 homens, quando tinha entre 5 ou 6 anos de idade. Esse fato foi tão traumatizante que passei a ter aversão à figura masculina. Ao sentir desejos por meninos, me reportava ao ato de agressão e, consequentemente, os meus sentimentos e minhas sensação eram as piores possíveis. Ao mesmo tempo que percebia minha orientação sexual, a repulsava com toda minha força. Aos 18 anos, reuni minha família e contei sobre meus os meus sentimentos por homens.Minha conduta e a minha postura na família e fora também, contribuíram para a aceitação por parte deles. Se assumir, atualmente, é mais fácil. Apesar de muitas incertezas, hoje temos estudos contundentes que afirmam não se tratar de doença (sai o termo homossexualismo e entra homossexualidade), de não se tratar de escolha (sai termo opção sexual e entra orientação sexual), de não ser um ato promíscuo, que a orientação sexual independe da vontade da pessoa, que não existe tratamento para reversão (não tem cura) etc. Preconceito e discriminação ainda existem, porém, não por falta de informação suficiente para poder emitir um verdadeiro julgamento, fundamentado e raciocinado. Quando eu me assumi, no entanto, há 21 anos atrás, as coisas eram diferentes.Mas, voltando à sua pergunta, antes de me descobrir, eu notava que alguns meninos e rapazes tinham um jeito diferente, mas não fazia julgamento (se essa visão, sob a óptica de uma criança, for vista por outros como preconceito, aceito - discordando, pacificamente). Lembro de ouvir comentários maldosos, deboches e zombaria em relação à alguns meninos ou rapazes "diferentes", mas eu, particularmente, não via maldade alguma, senão por parte dos zombadores. Para concluir, quero dizer que namorei muito entre os 18 aos 24 anos, todavia, nesse intervalo de tempo não consegui chegar às vias de fato. Quando tentava ser o passivo da relação, me via como vítima de agressão. Quando tentava ser ativo na relação, me via como o agressor. Procurei ajuda psicológica e aos 26-27 anos, comecei a me desvincular do trauma. A ajuda terapêutica foi importante, porém, o que me libertou dos fantasmas foi o amor. Até hoje, aos 39 anos de idade, só consigo fazer sexo quando existe amor verdadeiro, cumplicidade, afetividade, carinho, afinidade! Se eu ficar a sós com um "deus grego",e receber uma cantada, o máximo que pode acontecer é trocas de carícias. Coisa mais séria, só com amor. Sou romântico e meio certinho, mas nem tanto. Por isso, o abuso que sofri ainda tem um peso em minha vida. Compreendo quem pensa diferente, mas não sinto "orgulho gay". Sinto orgulho de ser Fulano, honesto, trabalhador, que respeita e gosta de ser respeitado, que com ajuda de Deus, vem vencendo traumas de infância, a esquizofrenia, que procura ajudar o próximo dentro de suas possibilidades.

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  8. Gostaria de saber se estou perdendo meu tempo em gostar e me mostrar interessada por um esquizo. Ele toma 1 mg de risperidona por dia e 0,50 mg de rivotril. Ele é inteligente e roqueiro (fascinante) . O que eu faço pra ele não se assustar comigo? Dizem que sou bonita e inteligente, mas parece que a amizade com ele não está rendendo.

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