Fala que eu não te escuto

     Bem, esse texto eu achei em uma revista chamada Em dia e fala sobre a mania que grande parte das pessoas têm hoje de não desgrudarem de seus smartphones.

    "Pode falar, que eu não te escuto, não te vejo, não interajo e não falo.
     Hoje o meu parceio é o smartphone e, neste momento, estamos almoçando, conversando com um monte de gente nas mídias sociais e, infelizmente não podemos dar atenção a você.
    Sei que estamos na mesma mesa, dividindo o mesmo espaço e até escolhemos os mesmos pratos, mas entenda, eu não estou aqui!
    O que você vê é só o meu corpo, pois estou em outro lugar.
    Estou com uma galera que curte tudo o que faço, ri de tudo o que posto, são superfelizes, são pessoas lindas, divertidas, resolvidas e descoladas. Estão sempre disponíveis e prontas para interagir.
    É claro que não são sempre as mesmas pessoas, elas se revezam conforme os horários, mas o legal é que fazemos tudo muito parecido, jogamos os mesmos jogos, então nunca estamos sós.
    Falamos pouco, teclamos muito.
    Na verdade, temos simplificado um pouco a fala e adotado uma repetição, tipo "lek lek" ou "lepo lepo".
    Isso facilita um pouco o nosso raciocínio, sobrando mais tempo para teclar.
    No futuro, acredito que tudo isso que estou fazendo será ainda mais intenso e presente em nossas vidas. Com  os anos, mais velhos e desgastados, teremos ainda mais dificuldade em falar, pensar e refletir. Nessa hora, será ainda mais fácil teclar.
    Como não teremos vontade de falar, não seremos carentes e não teremos muito o que contar, pois tudo o que vivemos já esteve devidamente mostrado e compartilhado, não precisaremos que você nos escute.
    Vamos teclar, teclar teclar e ver a vida passar!

    Paulo Cesar Cardoso
    revista "Em Dia"

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