terça-feira, 4 de março de 2014

Esquizofrênico: inimputável ou não?

 
   
o  cara saiu rindo depois do fato....
Nos últimos dias aconteceram dois fatos semelhantes aqui em São Paulo, mais especificamente nas estações do metrô da Sé e na plataforma de trem da estação da Luz.
    O primeiro teve como vítima uma mulher de 28 anos. Enquanto esperava o transporte simplesmente foi empurrada para os trilhos do metrô por um rapaz. Infelizmente ela foi atingida pela composição do metrô e e acabou perdendo um braço, mas não corre risco de morrer.
    As câmaras de vigilância flagraram o ato e o cara foi encontrado na cidade de Extrema, sul de Minas Gerais. Ele não ofereceu resistência e foi levado para uma delegacia aqui de Sampa. Segundo familiares, o rapaz é esquizofrênico. Mais detalhes no link abaixo

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/02/delegado-diz-que-homem-que-jogou-mulher-em-trilho-saiu-rindo-em-sp.html

     O segundo caso foi bem parecido. Uma mulher de 38 anos foi atingida na cabeça por um trem da CPTM e foi levada para um hospital da cidade, onde ficou internada em estado de coma por alguns dias. Infelizmente não resistiu aos ferimentos e veio a falecer.
    Ainda não se sabe ao certo o que aconteceu realmente, pois somente existe a versão dos funcionários da CPTM. Pelo que consta, a mulher, ao tentar entrar no vagão destinado à gestantes e idosos, foi barrada por um funcionário, que é estagiário e tem apenas 17 anos. Ela alegou que estava grávida, e como a barriga provavelmente não estava saliente, o rapaz acabou não acreditando e pediu provas, que não foram dadas. Então começou a discussão. Segundo os funcionários, a mulher estava exaltada e deu um empurrão no rapaz, que chamou reforço e deram voz de prisão à ela. Ao resistir, um segurança deu uma rasteira nela, que na confusão acabou caindo nos trilhos, sendo atingida por um trem.  Ainda não se tem certeza se ela se jogou ou foi empurrada pelos funcionários. As imagens existem, mas não foram divulgadas para a imprensa por enquanto. Alguns usuários do metrô comentaram que os seguranças exageraram na ação, mas nenhum deles chegou a ser preso. Detalhes no link abaixo:
http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/sp-mulher-morre-atingida-por-trem-da-cptm-apos-discussao,1855bb37e0974410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

    Agora uma pergunta: a família do rapaz apresentou um laudo provando que ele é realmente portador de esquizofrenia? Indago isso por que está virando moda dizer que uma pessoa é esquizofrênica quando esta comete um ato de violência. Ou será que os familiares do rapaz não foram orientados por um advogado, já que se conseguirem provar que ele é portador, poderá ser considerado inimputável ou ter um outro benefício qualquer? E no caso dos funcionários da CPTM, não seria imprudente colocar um cara de apenas 17 anos em uma função que exige experiência em um local tão agitado e estressante?
    A cada dia que um advogado vem à mídia afirmar que seu cliente é esquizofrênico, o preconceito aumenta mais. Alguns podem até estarem dizendo a verdade, mas todos nós conhecemos como esses "profissionais" atuam, procurando qualquer brecha na lei para livrarem seus clientes de uma pena ou então para diminuí-la.
    Não estou aqui para dizer que devemos passar as mãos na cabeça dos esquizofrênicos, que somos uns coitados, etc. Existem esquizofrênicos bons, maus, com caráter e sem caráter. A esquizofrenia não influi nestas qualidades pessoais.
   Sou a favor de que os casos sejam muito bem investigados e, se for comprovado que o infrator estava realmente surtado e não tinha consciência dos seus atos, que seja levado para um manicômio judiciário, onde possa cumprir a pena e receber um tratamento adequado.
   E tem outra coisa: se for comprovado que o portador abandonou o tratamento por conta própria, que a pena seja ainda mais rigorosa, já que no primeiro surto realmente não temos consciência de nada e ficamos muito assustados mesmo.
    Foi o que aconteceu no caso do atirador de São Paulo, que saiu de casa e abandonou o tratamento, indo morar na casa de uma psicóloga. No momento em que a polícia chegou na residência onde estava com a psicóloga, efetuou três disparos. Felizmente o pior não aconteceu, só um tiro pegou de raspão em sua companheira e outro em um policial.  Segundo consta, os policiais estavam ali para ajudar a interná-lo já que sua família pediu a sua interdição. O estranho é que como a psicóloga não percebeu que ele estava surtado, pois ele falava em discos voadores, afirmando estar chipado e com mania de perseguição? Será que ela também estava surtada?
http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/sp-interdicao-judicial-seria-motivo-para-homem-atirar-em-3-pessoas,f55803334f62d310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

    Outro caso conhecido é o do atirador de Realengo. Um dia após a tragédia um psiquiatra afirmou em uma emissora de TV que o cara era esquizofrênico. Oras, não precisa nem ser um expert em psiquiatria forense para deduzir que o elemento não agiu sob o efeito de um surto psicótico. Ele era na verdade um psicopata, isso sim, pois agiu friamente, arquitetando com detalhes o seu cruel plano. Chegou a gravar alguns vídeos, provavelmente fez um curso de tiro, pois, pelo que deu para perceber, tinha boa pontaria, acertando várias crianças em um curto espaço de tempo. Também sabia carregar o tambor do revólver com rapidez, ou seja, tinha prática em tiro.
    O esquizofrênico, quando está surtado, age por impulso, tendo o seu raciocínio totalmente prejudicado pelas suas alucinações e pensamentos, não tendo a frieza de um psicopata. E vale também ressaltar que, segundo pesquisas, os esquizofrênicos fazem mais mal a si mesmos do que a outras pessoas. Dados revelam que 50% dos portadores já tentaram o auto-extermínio e que 15% conseguiram concretizar o ato.

    Como já disse, não quero que passem a mão na cabeça dos portadores de esquizofrenia, só quero que a verdade seja conhecida por todos e que não acabe virando moda esse negócio de dizer que uma pessoa é esquizofrênica para aliviar a pena dela. Deveria haver uma lei que punisse esses advogados que procuram se aproveitar erradamente dessa lei que torna o esquizofrênico inimputável. O que vocês acham?

2 comentários:

  1. Procurando pela net cheguei pela segunda vez ao seu blog. A minha última pesquisa no google: esquizofrenia não estou tomando remédios, que retrata minha situação atual. Tenho 44 anos e sou professora, mas não quero tomar os remédios, eles me dão muito sono e dor de cabeça e apesar de estar fora da sala de aula tenho que trabalhar todos os dias. Trabalho em duas escolas diferentes e luto diariamente com os problemas que essa doença me trouxe. Primeiro, o superendividamento, na fase "surtada" saía pegando tudo quanto é dinheiro que podia. Com isso recebo menos da metade do meu salário. Como sou casada com um homem muito rígido e crítico, escondi tudo dele e ainda por cima peguei dinheiro com agiotas e outras pessoas... Claro que ele descobriu, mas tem coisa que até hoje ele não sabe. Tô tentando acertar, mas às vezes o banco do brasil fica com 30% do meu salário líquido (além de todos os outros descontos), foi isso que aconteceu esse mês, que aliás é o meu aniversário. Tenho três filhos, duas meninas e um menino... Sou uma pessoa muito compassiva e nunca fui homofóbica, mas descobrir que as duas meninas (de 20 e 18 anos) gostam de meninas foi bem duro pra mim... Não falo com elas sobre isso, às vezes meu marido parece lidar com isso melhor que eu até, mas eu as amo do mesmo jeito, só estou achando difícil aceitar, nem sei direito porque...O marido é outro problema, muito ciumento e possessivo, faz com que eu queira ir me apagando até sumir de vez, sabe, ser invisível ? Um irmão usuário de drogas, mãe muito ressentida com tudo e todos completam o quadro. Meu pai morreu com 49 anos, bebia (e era humilhado e agredido por minha mãe), sinto culpa por não ter demonstrado mais afeto, acho que ele foi a única pessoa que me amou "incondicionalmente" e se tivesse aqui faria de tudo pra me ajudar. Mas então, os remédios, não estou tomando, mas sinto que os sintomas voltam lentamente, mas como você disse eu também posso controlar se não me estressar ou ficar muito deprimida... Tenho umas idéias malucas, umas teorias doidas que não tenho coragem de contar pra ninguém, só conto para o médico e ele diz que é tudo coisa da minha cabeça... Mas para mim há muita coisa não explicada acerca dessa minha doença sabe? Sei lá, seres de outros planetas ou dimensões interferindo aqui, essas coisas... As vozes estavam me comandando, mas ás vezes eu sinto falto delas, pelo menos elas me diziam o que fazer, agora estou sozinha para decidir tudo... Gostaria de poder conversar com pessoas como você, que entendem o que estou vivendo. Desculpe o desabafo, hoje eu estou me sentindo muito só e ansiosa com essa situação toda. Patrícia

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  2. Gostei da matéria , e acho que vc está certíssimo, esquizofrenia é uma doença, mas está virando álibi para pessoas de má índole !!

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