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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Andanças: um ano

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Há cerca de um ano atrás sai do conforto do meu quarto na cidade de Ipatinga e resolvi fazer as minhas andanças pelo Brasil afora, mais precisamente pela região Sudeste.
   Algumas pessoas provavelmente acharam que eu estava fazendo uma maluquice, ao sair por ai andando meio sem destino com uma mochila e uma barraca nas costas.
    Mas não foi uma decisão precipitada, pensei muito antes de tomá-la. Ipatinga é um ótimo lugar para se viver. Fui muito bem recebido nesta cidade e sou muito grato pelo atendimento que recebi, principalmente nos primeiros anos, quando ainda estava surtado e pouco sabia acerca da esquizofrenia. A paciência do pessoal do CAPS foi de fundamental importância na minha parcial recuperação.
   O meu quarto era bom, com piso em cerâmica e bem ventilado. A janela dava para a varanda e assim era possível amenizar um pouco o forte calor que é costumeiro se fazer no vale do aço. Tinha uma tv de 20 polegadas da CCE(de tubo), um bom PC, um home theater e um frigobar. Ta…

É uma vergonhaaaaaaaa

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Reclamações esquizofrênicas  Como já comentei em alguns posts, meu telefone até hoje nem sabe o que é crédito, tirando aqueles que já vêm junto com o chip. Também nem é o famoso pai de santo, pois raramente recebo ligações. Na verdade ele funciona mais como um mp3 mesmo.      Mas ultimamente algumas pessoas vêm me dizendo que as quatro linhas do meu celular estão fora de área. Achei estranho e fui conferir. Telefonei para mim mesmo de um orelhão e pude constatar que o que os meus amigos falaram procede.      Após uma breve análise, cheguei a conclusão de que o problema estava no aparelho. Afinal, como poderia os quatro chips estarem com problemas ao mesmo tempo? Meu celular é o de quatro chips, chique de doer né?
   Fucei nas configurações e nada do aparelho receber chamadas. Levei-o em dois técnicos que também não acharam a razão do problema. No google achei o endereço das oficinas autorizadas da LG aqui em sampa.  Iria levá-lo para a loja da rua da Consolação. Apesar de não receber cham…

Adaptação: parte 2

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Após quase um mês de sampa e de abrigo, confesso que ainda não me sinto adaptado a essa nova situação. Em relação à cidade, acho que isso nunca irá acontecer, não é o meu estilo de vida essa correria louca. Agora entendo por que existem cd's com sons da natureza: cantos de pássaros, cachoeiras, etc.
    Em relação ao abrigo, vou me adaptando aos poucos. Mas não é nada fácil de repente morar com mais de mim pessoas, logo eu que desde os 17 anos comecei a morar sozinho.
    No fundo me sinto sozinho, mesmo em meio a tanta gente. Mas gostaria de curtir a solitude plena, o que é algo difícil no abrigo e aqui em São Paulo. Ter privacidade, acordar na hora que quiser, soltar um pum sem medo das reações dos vizinhos de beliche, andar a vontade pelo quarto. Sei que alguns irão me chamar de preguiçoso, vagabundo, etc,  mas trabalhei bastante em minha vida, e ficava deprimido quando chegava a época das chuvas, em que tinha pouco serviço na área de sonorização. Hoje me encontro estabilizado, m…

Difícil adaptação

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A noite foi muito quente por aqui, suei muito na cama, sem fazer nada. Mas  foi muito tranquilo. Depois das dez horas da noite silêncio total no abrigo. Não há guardas municipais e nem seguranças para manter a ordem no local. Apenas os monitores que exercem essa função primordial. Chego a me perguntar, como, em um local com mais de mil e cem pessoas dividindo o mesmo espaço, a ordem é mantida sem a presença de policiais.
    São pessoas de todos os lugares do Brasil e muitos estrangeiros: alguns vieram de Angola, Haiti, Congo, entre outros países.
    Depois de uma breve reflexão chego a conclusão de que a razão da ordem no abrigo só pode ser uma: ninguém vai ser bobo de perder a vaga em um albergue tão bom. Não duvido que seja o melhor e o maior do Brasil A alimentação é de qualidade, as instalações são muito boas, roupas de cama trocadas duas vezes por semana, inclusive a toalha.
    De manhã tomamos um café com leite um pouco aguado e comemos club social de pizza, sabor mussarela. E…

O albergue- parte 2

Depois de cerca de meia hora, o funcionário do abrigo apareceu. Deu um friozinho na barriga ao ver os documentos separados em suas mãos, provavelmente eram os que estavam selecionados e os que não poderiam entrar. Chamou umas vinte pessoas e, depois de entregar os documentos, disse que eles não iriam ficar na pernoite. Que alívio! Pelo menos não iria passar aquela noite nas ruas de sampa. Mas a minha permanência ainda dependeria de uma entrevista com uma assistente social na parte da manhã.
    Entramos para o abrigo na ala do pessoal que fica apenas para a pernoite. A primeira impressão foi das melhores. Tudo muito limpo, inclusive o banheiro, que tem um ótimo acabamento.
    Fomos jantar em um enorme refeitório. Comida boa: arroz soltinho, feijão, moela e alface. Estava sem tempero, mas acho que isso é uma regra, por causa dos hipertensos.
    Por volta das onze horas fomos dormir. Parece ser um padrão, mas todos os albergues que visitei, com exceção do DEIC, tem dez beliches. O le…

Sampa

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O albergue     Assim que cheguei em São Paulo, no terminal Tietê, fui à procura da assistente social, que fica na rodoviária mesmo. Não tinha uma assistente social bunitinha e com voz suave, e sim um senhor sério que aparentava uns 50 anos de idade. Ele me encaminhou para um albergue que se situa no Carandiru.
     Estava muito cansado, os pés doloridos por causa da longa caminhada. Devia ser uma hora da tarde e não tive que andar muito até encontrar esse abrigo. Às quatro da tarde já se podia entrar e o que eu mais queria no momento era deitar o meu esqueleto em uma cama bem maciinha.

    Dizem  que cabe umas 400 pessoas neste abrigo. É em um enorme galpão. Foram colocados vários banheiros químicos do lado de fora, para que o pessoal possa fazer suas necessidades. Por volta das duas da tarde já começa a se formar uma fila. Muita gente com a barrigudinha na mão, e, de vez em quando dando um trago na frente dos porteiros do abrigo, que são da guarda municipal. Achei estranho, pois a maior…

Passos dos Jesuítas: último dia

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A noite ao lado da funerária foi ótima. Tirando o movimento de carros até a madrugada, nenhum ser vivo apareceu para me incomodar, com exceção de um cara oferecendo sopa aos  moradores de rua(na verdade isso não foi um incômodo, é louvável alguém perder parte do seu tempo para ajudar os mais necessitados).
Também não apareceu nenhum defunto para ser enterrado e deu para ter uma boa noite de sono.
    Estou com muitas dúvidas sobre o que fazer, mas tenho três opções:
    1-Continuar o caminho até Ubatuba
    2- Desistir e dar um tempo em São Paulo
    3- Voltar direto para minha querida Belo Horizonte
    A verdade é que o caminho Passos dos Jesuítas não me agradou muito. Tem belíssimas praias e paisagens, mas, como já disse, é muito urbano o caminho. Muitas avenidas, ruas e estradas de asfalto. Tirando a noite na praia de Itaguá não tive muito contato com a natureza. Também não teve a hospitalidade impar do povo mineiro. O cafezinho, que em Minas é uma tradição e muitas vezes as pessoas …