Passos dos Jesuítas: 4º dia


10/01/2014 sexta feira- Mongaguá-Santos

    Não deu para montar a barraca perto do batalhão de polícia. Uma viatura se aproximou de mim enquanto a montava e os guardas me avisaram que era proibido montar barracas no local, por ser uma área militar. Eles falaram comigo em um tom mais informal mesmo. A polícia mineira, principalmente da capital, é um pouco mais formal, séria, eles cumprimentam a pessoa, se apresentam e depois começam a conversar.
    Já perdi o receio da polícia paulista. Alguns trecheiros que passaram pelo abrigo em BH falaram muito mal da polícia paulista. Disseram que os caras já chegam batendo sem dó nem piedade. Mas não foi isso  o que pude perceber nesses dias que estou no litoral paulista. Em Itanhaém os caras do corpo de bombeiros queriam até pagar a minha passagem para Ubatuba. Já de noite, dois policiais conversaram comigo por um bom tempo, me dando dicas do caminho e até me arrumaram um lanche. Com certeza os caras que falaram mal da polícia aprontaram alguma né?
    Voltando a viagem, consegui montar a barraca em um posto de gasolina. Lugar muito tranquilo, às margens de uma rodovia. Tirando o barulho dos caminhões, a noite foi tranquilo, dando para recuperar as energias. O que me assusta de madrugada são sons de pessoas andando em volta da barraca, já o de carros não me incomoda tanto.
    De manhã, depois de desmontar a barraca, encontro uma torneira em um box do posto de gasolina. Era tudo o que eu queria naquele momento! O banho no poço das antas não foi aquele banho, não foi possível lavar as partes. Como é bom tomar um banho frio, logo de manhãzinha. Aproveitei e até lavei o cabelo!
    Depois tomei um café com dois pães com manteiga na padaria perto do posto. Cinco reais e cinquenta centavos! Esses pães de sal em São Paulo estão com o preço muito salgados... O jeito vai ser comprar biscoitos e só comprar o café, senão a grana vai acabar antes de chegar à Ubatuba foto
    Por volta das nove horas peguei um ônibus para Santos, evitando a cidade de Praia Grande, seguindo o conselho dos policiais.
    A moça que vendia as passagens no ônibus era linda! Morena, 1,60m, cabelos longos e negros, devia ter uns 25 anos. Parecia uma indiazinha! E ficava mais linda ainda com o uniforme da empresa de ônibus. Tentei disfarçar, mas não teve jeito: toda vez que passava perto de mim, não tirava os olhos dela. Por três vezes ela escorou em mim, para se equilibrar no ônibus enquanto vendia passagens para as pessoas que pegavam o ônibus no meio da viagem. Fechava os meus olhos e ficava curtindo aquele momento lindo... Não vou negar que esse contato foi muito bom, não sou de ferro, e, claro, só fiquei encostado pro lado do corredor o restante  da viagem.
    A rodoviária de Santos não é muito grande, os banheiros estavam muito sujos. Desço do ônibus e pego um folheto com os pontos turísticos da cidade. Visito o museu de arte sacra e fico encantado com as obras. Não sou católico e não tenho nenhuma religião, mas gosto muito de artes em geral. Visitei os arcanjos Miguel e Rafhael, entre outras obras. Vale a pena a visita, que custa cinco reais, Claro que pechinchei, dizendo que estava caminhando, fazendo a rota dos Jesuítas e tals. O porteiro só me cobrou a metade.
arcanjo Miguel
arcanjo Rafael
anjo da guarda

    Depois fui para o albergue de Santos(acho que estou virando trecheiro...) e fiquei sabendo que o pessoal só entra às sete da noite. Vou para o POP e lavo minhas roupas. Depois passo um bom tempo em uma ótima lan house: tela de led 20 polegadas, pc bom e net veloz, tudo por 2,50 reais! Em BH é 2,70 reais, net lenta, tela de tubo e windows xp ainda!
    Visito a catedral de Santos, que impressiona pela sua imponência, mas não é tão bonita por dentro.
    Volto para o albergue, para não perder a vaga, pois não sei como as coisas funcionam naquele lugar. Além de tudo já estava com saudades de uma caminha...

    O albergue de Santos não é grande, deve caber umas quarenta pessoas, entre homens e mulheres. Na recepção entrego a minha identidade para um chileno mal humorado que me entrega uma toalha e um pijama. A sensação é de que estou em uma cadeia, apesar de nunca ter sido preso. Tomo um bom banho e no jantar é servido uma sopa, que faz todo mundo suar que nem tampa de chaleira... Estava muito calor à noite também, é pontualmente às oito da noite as luzes do pátio se apagaram, sinalizando que já é hora de nos recolhermos para os nossos quartos.

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