domingo, 26 de janeiro de 2014

Passos dos Jesuítas: 11º dia

16/01/2014-quinta-feira- Bertioga-São Sebastião

    Ontem fiquei curtindo o lindo pôr do sol na praia de Itaguai ,até escurecer por completo, quando os pernilongos começaram o ataque. Corri para a barraca, e, depois de matar uns três que conseguiram entrar comigo, fui tentar dormir, mas em vão. O calor não deixou e não tinha como deixar a barraca aberta. A areia da praia também estava bastante compactada, deixando o solo duro e, para ajudar, o meu colchonete não é dos mais grossos. Resultado: acordei um caco, mais cansado do que quando fui dormir.
    O nascer do sol nesta praia é sem palavras, só vendo mesmo. Aliás, todo nascer do sol na praia é bonito. Essa praia é maneira, não tem infraestrutura, só alguns barzinhos e algumas casas que oferecem uma ducha. Pechinchando, consegui que a ducha saísse por três reais. Se alguém me pede uma prova da existência de Deus, peço a essa pessoas que veja e sinta um nascer do sol.
qual nascer do sol não é lindo?

    De manhã, na praia de Itaguai não tem pernilongos, mas tem outros mosquitinhos sanguinários. Percebo que algumas pessoas não se sentem incomodadas com os insetos:
    - Você usa repelente direto?- perguntei para um morador do local.
    - Não.- respondeu um cara.
    - Ué, mas por que eles não te mordem?
    - É que eles gostam de sangue novo...
    Às oito da manhã na estrada. A mochila está mais pesada do que de costume. Meus passos não estão firmes. Apesar de um reforçado café da manhã em uma padaria que encontrei na estrada, não sinto minhas energias renovadas. A noite de sono na praia não foi das melhores e, por volta das nove da manhã, paro para tirar um cochilo em uma graminha que encontrei pelo acostamento da BR.
    Por volta das dez volto a caminhar. O calor está escaldante, e me pergunto se não seria melhor uma boa chuva. Apesar de todo o verde que cerca a  estrada, chego a me perguntar se a sensação de caminhar no deserto é algo parecido com o que estou sentindo no momento. O vapor vindo do solo somado com a quentura do sol em minha cabeça está quase insuportável. Por sorte, essa estrada tem vários bairros de Bertioga e São Sebastião,  não falando lanchonetes e postos de gasolina para se pedir água e encher o meu cantil.
    Vou caminhando lentamente. Na estrada real o meu rendimento é um pouco melhor, apesar das trilhas e serras. A sensação térmica na BR é maior, por causa do asfalto, creio que faça  a temperatura subir uns 4Cº.  O jeito é parar com mais frequência, para repor as energias.
vila dos gatos...

    Por volta de uma e meia da tarde para em um lugar que apelido de Vilarejo dos Gatos. Não por que o local tenha muitos felinos, é que a quantidade de fiação elétrica gambiarrada é impressionante. Olhem a foto!
Não sei como isso não dá curto-circuito!
    Paro para pegar um bom rango de doze reais. Arroz, feijão, uma bela salada e filé de frango. Já me sinto mais animado para caminhar. Assim que saio do restaurante, alguns pingos começam a cair do céu. Coloco a capa de chuva na mochila e prossigo o caminho, achando bom que tenha dado uma refrescada na temperatura. Levanto as mãos para o céu como forma de agradecimento, mas, aos poucos a coisa foi ficando séria. Os pingos começaram a ficar mais grossos e se tornaram mais frequentes. Logo já estava caindo um temporal em minha cabeça. Resolvo prosseguir, já estava molhado mesmo! Rajadas de vento fortíssimas faziam com que meu corpo balançasse algumas vezes. O caminho, que antes era só retas, já começa a virar uma serra íngreme. Fortes raios começam a cair do céu, fazendo com que alguns carros se abrigassem nos postos de gasolina. Não quis parar, estava me sentindo bem e, para aproveitar a água da chuva faço uma coisa que não fazia há dois dias. Lavar os cabelos! Isso mesmo, não foi gracinha de minha parte, mas já que a água estava caindo...
bora para Bora Bora?

    Por volta das cinco horas a chuva deu uma trégua, mas resolvi parar em um posto de gasolina desativado. Meu tendão esquerdo já estava doendo um pouco.  Quandochove não gosto de parar para descansar, pois o corpo dá uma esfriada e recomeçar a caminhar é meio complicado e desanimador nestas situações.
    Seu Adão, que toma conta do posto, foi super gente boa comigo: além de me oferecer um cafezinho, deixou que eu dormisse dentro do lugar onde funcionava a lanchonete. Iria dormir em um box, mas claro que não recusei o convite, pois poderia dormir com mais tranquilidade e segurança. A lanchonete estava meio bagunçada, mas não poderia encontrar lugar melhor para descansar naquele momento. O chuveiro estava funcionando e deu para tomar um bom banho de água fria. O dia, que começou e foi bem cansativo, terminou bem.

Um comentário:

  1. tudo tudo muito lindo...parabens vc e corajoso e dinamico.. admiro vc e muito estou lendo tudo tudo sobre vc .. se cuida menino .. avida e linda dimais cuide bem dela... ja te liguei em todos seus fones mais nenhum da certo.... abração

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