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Mostrando postagens de Julho, 2013

Férias

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Vou tirar férias. De que, eu não sei. Não trabalho, então seria férias de que, de quem? Da agitação da cidade grande, talvez. Essa agitação e confusão que me estressam, e, consequentemente me fazem lembrar que tenho esquizofrenia. Sim, por alguns momentos eu esqueço que tenho essa patologia. Como em uma ensolarada manhã de domingo. Acordei, desmontei minha barraca e fui tomar o café da manhã em um bar da avenida Augusto de Lima, no Barro Preto. Poucas pessoas pelas ruas, apenas algumas senhoras passeando com seus pets pelas ruas do bairro. Estava tranquilo e distraído, como há muito tempo não ficava. Mas, depois do  café, bastou me aproximar domercado central para aquela velha sensação de estar sendo observado tomar conta dos meus pensamentos.
    A tristeza tomou conta de mim e o meu domingo, que parecia ser um bom dia, se tornou cinzento e chato, como um dia qualquer da semana. Como foi bom ficar um tempo sem a companhia da esquizofrenia! Andar pelas ruas, numa boa, sem paranoias…

Divagações esquizofrenicas

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Já fazem mais de vinte dias( a frase está correta? me corrijam, please, estou na lan house e fica complicado olhar a maneira correta) que estou tentando de parar de tomar o diazepan. Já cheguei a tomar dois por dia, quer dizer, por noite. Voltei a tomar um e agora estou tomando só meio comprimido, à noite. Na época braba dos surtos não saia de casa sem o pan nosso de cada dia. Toda vez que me estressava, botava um na goela abaixo, às vezes sem água mesmo, em plena luz do dia.  Hoje sei que, se continuasse naquele ritmo, em pouco tempo estaria tomando uns cinco por noite para manter o efeito tranquilizante e sedativo.
    Um dos efeitos colaterais desse medicamento que sei que me afeta e muito é a memória recente. Fatos antigos, da infância e da adolescência, parecem estarem preservados em minha mente. Mas vira e mexe esqueço algo que aconteceu no dia anterior, por exemplo. Não tive tantas dificuldades em relação a memória ao escrever o livro Mente Dividida, pois os fatos narrados o…

Nas ruas: Perrengues

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Nem tudo nessa vida descompromissada de  barraqueiro de rua e nessas minhas andanças por ai são flores. Passei  e ainda passo por algumas situações complicadas, mas, acreditem, estou mais seguro nas ruas de Belo Horizonte do que quando morava em Ipatinga, rodeado por traficantes e paranoicos usuários de crack.
    Certa madrugada fui acordado por três garotos, de aproximadamente quinze anos de idade. Eles "pediram" para abrir a barraca, mas respondi que estava dormindo. Com a negativa, eles começaram a balançar a minha humilde residência, ameaçando botar fogo nela. Procurei manter a calma, sabendo que hoje em dia os menores de idade estão até mais perigosos do que os adultos, por saberem que não irá lhes acontecer nada caso sejam pegos em flagrante cometendo seus delitos.
    Então abri a barraca e sai, cumprimentando pacificamente os três garotos. Um deles, ao me ver, disse:
    -Vamu embora, eu "flagro" esse cara.
    Acho que esse flagro quer dizer manjo, já conhe…

A esquizofrenia e eu

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Muitos pais, namoradas(os), e parentes de pessoas que têm algum grau de esquizofrenia constantemente entram em contato comigo, perguntando-me sobre o que fazer para se livrar desse transtorno que acomete 1% da população mundial.
    Eu juro por Deus que, se soubesse, já teria espalhado esse método para o maior número de pessoas.
    Algumas dessas pessoas, ao verem os meus vídeos, me disseram que sou uma pessoa centrada, calma, como se eu já tivesse resolvido esse problema em minha vida. Não é bem assim, eu sempre gravava os vídeos nos dias em que estava me sentindo bem. Hoje em dia estou estabilizado, mas ainda passo por algumas situações complicadas e chatas por causa dessa patologia.


     Uma das principais é a oscilação de humor, que não é exclusividade dos bipolares. Muita gente tem isso, desde os portadores de esquizofrenia e até os ditos normais. Já tenho isso há bastante tempo, e me atrapalha tanto que chego a  evitar de marcar encontros, simplesmente por não saber como vai e…

Estrada Real: Último dia

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30 de maio de 2013-quinta feira Cunha-Paraty
    Tive uma ótima noite de sono na rodoviária de Cunha. Não fez o frio que eu estava esperando. O site da FIEMG diz que, em Cunha, a temperatura costuma variar entre 3°C à 14°C no inverno. Caprichei no papelão, e o frio foi legal para dormir, não foi preciso me encolher para espantar o frio.      Dormi cedo, por volta das sete horas da noite já havia tomado o meu remedinho para dormir. Às três horas da madruga já estava acordado, dava para ouvir o toque do sino da igreja, que tocava de hora em hora, que, convenhamos, é o ideal. Até hoje não consegui entender por que o sino da igreja de São João Del Rei tem que tocar de quinze em quinze minutos. Nem o google explica!     Começa a cair uma forte chuva de madrugada. Eu, que já estava decidido a ir para Paraty de qualquer maneira, começo a ficar em dúvidas novamente. É complicado começar a caminhada debaixo de chuva e logo assim de manhãzinha.
     A minha parte racional tenta me convencer que o me…