quarta-feira, 22 de maio de 2013

Estrada Real: 7° dia


13 de maio de 2013 segunda feira
Casa Grande-Lagoa Dourada

    Tive uma boa noite de sono, apesar do frio. Ontem achei um monte de caixas de papelão perto da praça. Coloquei um pouco debaixo da barraca e a forrei toda por dentro. Quase não se sentia frio dentro da barraca. Acordei com as energias renovadas e muito animado. Tomei café da manhá na única pensão do distrito e cometi um erro fatal: não perguntar o preço das coisas antes de comer. Resultado: dois pães com manteiga e dois cafezinhos sairam por cinco reais. Ai pessoal, vai a dica para quem passar por Casagrande, ao ir na pensão da Irene, pergunte o preço antes, por que ela mete a mão mesmo! O meu blog também dá dicas de economia ué!
    Depois fui para a lan house da cidade. A internet é mais lenta do que eu subindo os morros de Minas. não deu para postar muitas fotos, e quase perdi todo o post pois o tempo quase acabou antes de salvá-lo. Também não tinha muito tempo para ficar no PC, pois tinha que percorrer 30km de estrada de terra até Lagoa Dourada. Muita poeira, muitos caminhões passando pelo caminho, mas valeu a pena percorrer este trecho, que tem paisagens muito bonitas. 
    Na hora do almoço, parei no povoado de Catuá, e, como não tinha restaurante, sai novamente de porta em porta até encontrar  alguém que me vendesse um pouco de comida. Dessa vez a mulher me cobrou cinco reais, ao contrário de ontem, que foi "di grátis". 
o caminho é bonito, mas existem muitos perigos, como essa cobra catatuia gigante do centro sul de Minas Gerais, que tive que exterminar, pois já estava pronta para dar o bote em mim.
    Os marcos neste trecho estão corretos, bem diferente do de Entre Rios e Casa Grande, onde tinha muito marco errado na estrada. Parece que os caras fumaram um na hora de colocar os marcos. O marco 702 está antes do 701, até pensei que tinha passado por ele sem perceber. Tinha um marco de número 742 depois de um marco de número 850. Tinha um marco que mandava virar uma ponte que simplesmente não existe. Outro falava que a direita tinha uma igreja e só tinha mato! Ai a gente pira no meio do mato! Podem preparar o bolso ai pessoal da estrada real! Estou documentando esses erros todos ai de vocês, pois os marcos estão me induzindo ao erro, me causando sérios danos físicos!
    Hoje estou mais disposto, caminhando com mais firmeza, parecendo um soldado marchando. Não sei se é a pressa para comer rocambole em Lagoa Dourada ou se foi a boa noite de sono. Pode ser também por que estou 3kg mais magro e também minha musculatura está mais forte, sei lá. Ou pode isso tudo junto.
    Mas o caminho é longo e com muitas subidas íngremes. Por volta das quatro horas já dou sinais de cansaço, mas a vontade de comer rocamboles me incentiva a cada metro do trecho. Lá por volta das cinco da tarde chego na BR, e, ao invés de seguir em frente, pelo caminho mais fácil, escolho seguir pela trilha. Acho que, além de ter antepassados indígenas, eu também sou um, devo ter sido adotado quando criança, não tem explicação esse gosto pelo mato que tenho. A trilha até que é fácil, mas erro um marco e vou parar em uma fazenda. Já está escurecendo e começo a ficar um pouco desesperado, não parando para descansar, tornando o final do dia complicado. Vou passando pelas porteiras sem fechá-las de novo, pois, se escurecer comigo no meio da trilha, ai é que o negócio complica de vez. Para piorar as coisas ainda mais, tinha um córrego no caminho e não tinha pinguela. Tive que jogar a mochila primeiro e depois pular, para não atolar os meus pés na lama. 
I am here!
     Depois tinha uma subida muito forte, não parei para descansar e nem para recuperar o folego. No fim da subida deu para avistar a cidade de Lagoa Dourada, por volta cinco e quarenta. Meus pés estão doloridos e um dedo está com uma enorme bolha de água. Ao chegar no centro, procuro uma loja de rocambole e desabo na cadeira. Peço um mate couro e como três pedaços de rocambole, que são uma delícia mesmo, o melhor que já provei na minha vida. Eles são macios, e derretem em minha boca. Experimentei só os tradicionais, doce de leite, chocolate e de goiabada. Os mais exóticos não cheguei a experimentar, pois o preço do doce é um pouco salgado, mas vale a pena cada centavo. 

chegada em Lagoa Dourada




    
se parece com o que?
 Depois de saciada a minha fome, vou para lan house da cidade, apesar do cansaço. Aliás, acabo sempre descansando os pés nas lans houses do caminho. Vejo os emails, o blog e algumas notícias para não ficar muito por fora do que está acontecendo no mundo. 
    Como não encontrei cachoeira pelo caminho, tomo banho em uma pousada e depois procuro um lugar para dormir. No supermercado da cidade peço algumas caixas de papelão. O cara que me atendeu fou super gente boa e me deu um monte. Perguntou para onde eu ia e, como todos, se assustou quando disse o destino. Depois falei um pouco sobre esquizofrenia e também sobre o meu blog. 
    Sai do supermercado com aquele monte de papelão nos dois braços. Me indicaram o ginásio da cidade para dormir, mas infelizmente ele estava fechado. Estava muito cansado, os papelões iam caindo pelo caminho e resolvi dormir atrás da igreja matriz. Uma beata me sugeriu então que eu dormisse na rodoviária, que ainda estava em construção. Achei a ideia ótima, pois provavelmente era um local coberto e fechado. Lá fui eu de novo então, atravessando o centro da cidade com aquele monte de papelões. Estava tão cansado que me senti o próprio Jesus Cristo. Toda situação em que sinto esse sofrimento físico me bate esse complexo messiânico. 
    Chegando na rodoviária, a decepção: é tudo muito escuro e vejo um cobertor e sinais de fogueira, o que indica que mais pessoas dormiam por lá. Resolvi voltar para a igreja e montei minha barraca por volta das nove da noite, já no limite das minhas forças. Tomo o meu pan de cada dia e desmaio, de tanto cansaço.


 
ATENÇÃO; ESQUIZO DENUNCIA! ATENÇÃO POLÍCIA CÍVIL!
    
     Atenção polícia civil e federal! Durante minhas andanças, descobri, em Santo Antônio das Goiabeiras, várias fazendas de crack, como se pode ver na foto acima. Está explicado como existe tanto crack no Brasil. Não deu para me aproximar das fazendas, pois existem capangas fortemente armados, mas, com minha câmera cannon com zoom de 52x, deu para ver as pedras de crack brotando das árvores. Não dá para enviar a posição da fazenda pelo google maps, pois o meu tablet Samsumg deu pau no início da viagem. Mas aqui vão as coordenadas para localizar essas fazendas:
Latitude: 20,000. 31. 500
Longitude: 49, 595, 797°
altitude: 856m
Localização em relação ao marco zero da américa do sul: 809;000;765m
    Recomendo que o exército também se faça presente, pois os fazendeiros possuem vasto e pesado armamento, ontem inclusive houve um intenso tiroteio, provavelmente entre fazendas de crack rivais.

3 comentários:

  1. Vc ta brincando ? n existe pedra de crack brotando, o crack e feito em laboratorio e transformado em pedra. So existe plantacao de maconha.

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    1. Claro que é brincadeira! O crack é feito da pasta base da cocaina,foi só brincadeira mesmo, não deu para perceber?

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  2. Gostei da variedade de rocambole. Voce é persistente Júlio, achei engraçado,rs rs que a vontade de comer o rocambole voce desafiou o cansaço mais uma vez. A caminhada do sexta dia me fez sorrir muito, eu postei mas deu errado. É devoto? Vc vive disso? muito bom humor o seu é contagiante. Parabéns vá em frente. Deus cuida de vc. e minero é gente boa.




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