sábado, 16 de março de 2013

Caminho do Padre Anchieta 3ºdia

    Ao amanhecer, a minha impressão sobre Barra do Jucu mudou totalmente de figura. Estava em uma pequena praia, mas muito bonita. O nascer do sol foi muito bonito e vários pescadores sairam com seus barcos para o mar em busca de seu sustento, que são os peixes.
    Resolvo lavar minhas roupas na ducha, já que não havia muito movimento no local. Depois subo para  alto de uma pedra(video acima) para curtir o lindo visual da praia e da cidade, enquanto espero minha roupa secar em uma pedra. Logo depois, não resisto e dou um mergulho na praia, pois não pretendia voltar a caminhar de manhã, pois sou muito devagar nesse periodo do dia, e pretendia recompensar o tempo perdido caminhando durante a noite.
tornozelo detonado
    A água estava ótima e não queria sair da praia tão cedo, mas, para minha infelicidade, choco o meu tornozelo contra uma pedra que estava no fundo do mar. O local fica bastante inchado e começo a mancar muito, mas a ideia de desistir nem passa pela minha cabeça.
    Depois do almoço parto para a praia de Setiba, que é o ponto da segunda parada, já em Guarapari. A dor no tornozelo aumenta a cada passo, mas é suportável, apesar de atrasar e muito a caminhada.

castelo em pleno litoral do Sudeste


   

   Quase na saida da cidade, tenho uma visão no mínimo curiosa: Um castelo construido quase na beira da praia! Não resisto e bato no portão para tentar conhecer o dono da exótica construção, mas apenas um cachorro latia dentro da construção. Será que o dono tem hábitos noturnos?
     Depois do castelo, entro na parte considerada a mais cansativa do percurso, pois são praticamente 28km de caminhada nas praias, a maior parte desertas. A areia fofa não deixa a caminhada render, pois a areia é muito fofa. Tanto o tornozelo esquerdo como a musculatura da perna direita começam a doer muito, já que a perna direita tem que fazer o dobro do esforço, pois não consigo pisar com firmeza no chão com a perna esquerda. Depois de passar pela Praia da Fruta, tudo começa a ficar deserto, medonhamente deserto. De um lado o mar, e do outro só sei via vegetação. Fico com um pouco de receio de não conseguir vencer este trajeto e de que a água acabe no meio do caminho.
    Já está escurecendo e, para piorar, não existem as setas indicando o caminho de Anchieta. Penso que estou no caminho certo, pois só existe a praia e a vegetação no caminho, mas receio que possa existir uma placa no caminho indicando um caminho no meio da vegetação, que parece não ter fim. Chego a pensar que talvez tenha ultrapassado a suposta placa, pois já anoiteceu e as únicas coisas que pode ser avistada são as estrelas do céu e as luzes de Vila Velha, bem ao longe.
    Estou no meu limite, quase não consigo mais caminhar pela areia fofa. Chego a cambalear por alguns instantes, mas não desisto, pensando que a qualquer momento irei encontrar a tal placa salvadora. Mas, por volta das oito horas, já exaurido e sem energias, praticamente desmaio na areia da praia.
    Depois de alguns minutos, consigo me recuperar e bebo um gole de água, que tento racionar o máximo possível. Tento armar a barraca, que passa a ser uma tarefa bastante difícil, já que o vento é muito forte e qualquer vacilo ela poderá sair voando pela praia afora e com certeza não teria forças para correr atrás dela
    A noite na praia deserta foi tranquila, como não poderia deixar de ser, pois ela realmente é totalmente deserta. Só um ou outro ruido que me deixam um pouco assustado, mexendo com a minha imaginação, pensando que poderia haver um outro maluco como eu por perto.
    O céu estava estrelado, mas às vezes se ouvia um ou outro trovão, para o meu desespero, pois a barraca não é forte o suficiente para aguentar chuvas e não havia no local para me abrigar por ali.
    Não consegui dormir, pois o som das ondas batendo na praia era muito forte. Algumas dúvidas surgiram em minha mente durante a madrugada:
    - Será que eu havia errado o caminho?
    - Será que eu estava indo para o Rio de Janeiro?
    - Como iria fazer se a água acabasse?
pegando um bronze



perdido na praia deserta

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