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Mostrando postagens de Março, 2013

Caminho do Padre Anchieta: 5º dia e último dia

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São cinco e meia da manhã. Acordo com muitas dores, tanto no tornozelo esquerdo como em toda a musculatura da perna direita, que teve que trabalhar muito para compensar o fato de não poder firmar a perna esquerda no chão.
    Tento calçar o tênis, mas, como o meu pé está muito inchado, não consigo colocá-lo no meu pé e tenho que prosseguir a caminhada de chinelo mesmo, o que atrasa ainda mais a chegada ao destino final.
    Não consigo avistar nenhuma padaria por perto e início a minha caminhada até Meaípe, que deveria ser o ponto de parada do dia anterior. Estou 10km atrasado em relação ao tempo que o pessoal da Abapa, que faz o percurso em quatro dias. Para chegar a Anchieta hoje mesmo, terei que percorrer 33km, tarefa um tanto o quanto difícil nas condições em que o meu tornozelo se encontra.
    Planejo então percorrer algo em torno de 20km e deixar para o dia seguinte o restante, para chegar em Anchieta de dia. Mas as dores e a dificuldade em caminhar aumentam cada vez mais com …

Caminho do Padre Anchieta: 4ºdia

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Acordo por volta das seis horas da manhã, com muitas dores musculares e mal conseguindo me apoiar na perna esquerda, pois o tornozelo esquerdo amanheceu muito inchado.      Olho para a frente e só consigo avistar praia e vegetação. Por alguns instantes, penso em desistir, já que a  minha água está acabando e por temer em ficar perdido naquela praia deserta.      Me imagino voltando para Belo Horizonte e sinto que nunca me perdoaria por ter desistido no meio do caminho. Me lembro do filme "Retroceder sim, desistir jamais" e também do "Tropa de Elite" com o seu famoso bordão: " Missão dada é missão cumprida". E, como sou muito teimoso, resolvo continuar, mesmo que tenha que chegar a Anchieta de muletas.      O vento é muito forte nesta praia, e qualquer vacilo na hora de desmontar a barraca pode ser fatal, pois não tenho condições físicas de sair correndo atrás de minha humilde residência com toda essa ventania.      A viagem, que a principio tinha um misto…

Caminho do Padre Anchieta: explicação

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Bem, creio que esse deveria ser o primeiro post dessa série sobre o caminho do Padre Anchieta, pois nele farei uma breve explicação sobre esse caminho e sobre os motivos de percorre-lo só agora, aos 44 anos de idade, já que nunca havia feito algo parecido em minha vida antes.
    Esse caminho, que também é conhecido como o caminho de Santiago brasileiro, foi criado por uma ONG chamada Abapa(Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta). O percurso era feito regularmente pelo Padre Anchieta a pé, nos seus últimos dez anos de vida, pois ele era reitor na antiga Vila de Nossa Senhora da Vitória, mas sua moradia fixa era na vila de Rerigtiba(hoje Anchieta).
    O caminho é cercado por diversas e lindas paisagens, que vão desde praias desertas e povoadas, passando por trilhas, vilarejos e rodovias. O caminho, organizado pela Abapa, é percorrido em quatro dias, e é realizado anualmente. Maiores informação no link no segundo parágrafo.

   -1ºdia: A caminhada começa realmente em Vila…

Caminho do Padre Anchieta 3ºdia

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Ao amanhecer, a minha impressão sobre Barra do Jucu mudou totalmente de figura. Estava em uma pequena praia, mas muito bonita. O nascer do sol foi muito bonito e vários pescadores sairam com seus barcos para o mar em busca de seu sustento, que são os peixes.
    Resolvo lavar minhas roupas na ducha, já que não havia muito movimento no local. Depois subo para  alto de uma pedra(video acima) para curtir o lindo visual da praia e da cidade, enquanto espero minha roupa secar em uma pedra. Logo depois, não resisto e dou um mergulho na praia, pois não pretendia voltar a caminhar de manhã, pois sou muito devagar nesse periodo do dia, e pretendia recompensar o tempo perdido caminhando durante a noite.
    A água estava ótima e não queria sair da praia tão cedo, mas, para minha infelicidade, choco o meu tornozelo contra uma pedra que estava no fundo do mar. O local fica bastante inchado e começo a mancar muito, mas a ideia de desistir nem passa pela minha cabeça.
    Depois do almoço parto pa…

Caminho do Padre Anchieta 2º dia

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A caminhada: início         Passei a madrugada na rodoviária. Não dormi e também não descansei, preocupado com minha mochila. De manhã pego um ônibus para a cidade de Vila Velha, onde realmente começa a caminhada do Padre Anchieta. É domingo e quase não se vê pessoas pelas ruas. São oito horas da manhã e resolvo montar  pela primeira vez a barraca. Já dentro do meu novo lar tomo um comprimido de diazepan, para poder relaxar um pouco, pois a noite na rodoviária de Vitória foi cansativa. Vez ou outra escuto um transeunte fazendo algum comentário, estranhando o fato de uma barraca estar montada naquele local.      Por volta do meio dia resolvo almoçar e desmonto a minha barraca. Com alguma dificuldade, consigo achar um restaurante aberto.  O preço é um pouco mais caro do que em BH: enquanto na capital mineira o self service a vontade custa por volta de oito reais, na capital capixaba custa dez reais. Depois procuro o albergue da cidade, mas por ser domingo não consigo entrar. Pinta um desâ…

Caminho do Padre Anchieta: 1º dia

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09/03
    Acordei no albergue por volta das cinco da manhã. Apesar da estação ferroviaria estar há uns 300 metros de distância, como sempre não quero chegar no horário, chego sempre com bastante antecedência.
    O trem parte para Vitória às sete e meia da manhã, mas as seis em ponto já estou no terminal, pronto para embarcar. Estava com saudades de viajar de trem e não achei ruim por ter que escolher essa opção de tranporte, por ser a mais barata.
    Curti bastante a viagem, por causa das belas paisagens. Montanhas, rios e vales enfeitavam a minha janela. Como uma criança, registrei tudo em minha câmera.
    A viagem inteira escutei músicas em meu celular. E, como ele é uma salada musical, ouvi todos os ritmos, desde Martinho da Vila atá música clássica, passando por heavy metal, mpb e outros. Além do Yanni né?
Mas, o ritmo que mais se adequou a viagem foi o country, por combinar com as paisagens.
    O melhor da viagem se deu quando o trem se aproximou da cidade de Aimorés, quando o Rio…

Nas ruas 03/03: como não fazer o nada?

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Um domingo de sol
    Hoje, domingo, me dei o direito de não fazer nada(mas se o nada é nada, como não fazer o nada?). Nada de andanças, nada de lan house. Assim que tomei o café da manhã, peguei meu pedaço de papelão e me deitei na calçada, perto do albergue mesmo, no bairro Floresta.
    O silêncio era total, quase nenhum transeunte se avistava no local. Além de um bem-te-vi, a única coisa que se ouvia era o som de um transformador de energia elétrica, meio zoerento, desses que ficam no poste. Um silêncio quase que total, como há muito não ouvia. Aquela calmaria toda acabou de tirar as minhas dúvidas sobre o que fazer naquele domingo, e resolvi iniciar uma sessão de "silencioterapia" naquele local.
    Aos poucos, a rua próxima a essa em que faço os meus posts é ocupada por cerca de uns cem moradores de rua, ou mais. Uma Van branca se aproxima e os moradores de rua(inclusive eu), educadamente fazem uma fila, para pegar um marmitex e um copo de suco. Nada de confusão, brigas…

Nas ruas: Centro de convivência

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Minha tribo sou eu     Hoje(27/02) resolvi ir ao centro de convivência para portadores de transtornos mentais, no bairro Carlos Prates, ainda aqui em Belo Horizonte. Estava ansioso para conhecer novas pessoas que possuiam o mesmo tipo de transtorno do que eu: a esquizofrenia. Logo após o almoço no restaurante popular, resolvo ir a pé mesmo, para ir me exercitando e me preparando para a caminhada do Padre Anchieta. Já estou olhando o preço de algumas barracas, que provavelmente sairá mais barato do que ficar dormindo em pousadas e hotéis, além de deixar a caminhada mais com cara de aventura, me deixando mais livre para escolher o tempo para percorrer o caminho que, se for para dormir em pousadas, dura exatos quatro dias, andando cerca de 25 km por dia. Nesse ritmo não dá nem para curtir e aproveitar as belas paisagens e praias, e muito menos refletir e meditar.      Mas, voltando ao assunto inicial, depois de caminhar por uns 4 km, finalmente chego ao centro de convivência. Vou entrando d…

O teste

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Andando em pleno centro de BH, de bermuda, chinelo e mochila nas costas, pude sentir na pele como as pessoas são julgadas de acordo com as aparências. Não vou bancar o hipócrita e dizer que não olho a aparência da pessoa, mas tenho consciência de que posso me enganar, sem contar o fato de que atualmente ando desconfiado de todo mundo, coisa de mineiro e esquizofrênico.
    Andando de bermuda, pude perceber que muitas mulheres, ao me verem, prontamente colocavam a mão em suas bolsas. Outras até mudavam de caminho só para não passar perto de mim. Foi uma dificuldade saber a data naquele dia, pois algumas pessoas simplesmente me ignoraram, fato que me deixou um pouco triste.
    Resolvi então fazer um teste, com calça comprida, tênis e uma camisa pólo. As pessoas não me olhavam mais com desconfiança e respondiam todas as minhas perguntas.
    Pense na cara que fazemos quando presenciamos um morador de rua roubando um supermercado e na naturalidade em que ficamos quando abrimos uma págin…